Trotes telefônicos ainda são constantes nos serviços de emergência e segurança de Apucarana. O Corpo de Bombeiros é o órgão que mais recebe ligações deste tipo na cidade: são sete a cada dez atendimentos telefônicos. Outro alvo frequente dos trotes é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
De acordo com Emerson Aparecido Rocha, 2º tenente do Corpo de Bombeiros de Apucarana, o prejuízo causado por ligações falsas é grande. “Infelizmente, o número de trotes é bem grande. As pessoas ligam para os bombeiros e simulam uma ocorrência. Na maioria das vezes, o atendente tem a experiência necessária para perceber que se trata de algo falso. Mas como o nosso deslocamento é emergencial, na dúvida, temos que ir até o local e checar”, diz.
Segundo ele, isso faz com que chamadas verdadeiras possam sofrer atrasos. “Isso prejudica o nosso trabalho e compromete a velocidade e eficiência das equipes, que poderiam estar atuando em ocorrências graves, mas acabam perdendo tempo com essas ligações falsas”, diz.
Na Polícia Militar (PM), a situação é parecida. Segundo a tenente Kelly de França, do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana, a cada 10 ligações, pelo menos uma é trote. “Ligações falsas prejudicam o atendimento à população porque bloqueiam a linha, que poderia estar sendo utilizada para o relato de uma ocorrência real, e também faz com que uma viatura se desloque desnecessariamente”, ressalta.
De acordo com ela, são vários trotes recebidos por dia. “A maioria são crianças, mas também há adultos que fazem isso. É importante salientar que o trote é crime previsto no Código Penal brasileiro e, portanto, passível de punição”, destaca.
A tenente se refere ao artigo 340 do Código Penal, que trata da comunicação falsa de crime ou contravenção, o que pode acarretar de um a seis meses de detenção e multa. Há ainda uma lei estadual, aprovada em 2012, que prevê punição aos infratores através de uma multa de R$ 135,78, cobrada através da conta telefônica. Contudo, em Apucarana, essa multa nunca chegou a ser aplicada pelos órgãos de segurança.
DESLOCAMENTO
Nesta semana, o Samu de Apucarana se deslocou até Marilândia do Sul, onde havia o relato de um acidente na entrada da cidade. Ao chegar no local indicado, verificou-se que estava acontecendo apenas uma simulação. Por falta de comunicação, um funcionário da própria empresa que estava realizando a atividade ligou para o Samu informando do falso acidente como se fosse real.
“É uma situação que foge ao padrão dos trotes, mas que também é considerada assim. Muita gente critica as muitas perguntas feitas pelo atendente do Samu, mas elas são importantes para decidirmos que tipo de ambulância precisa ser deslocada e também se não é uma ligação falsa”, ressalta a coordenadora de enfermagem do Samu, Priscila Vieira Salviatto.
Ela afirma que, no período de férias escolares, o índice de trotes aumenta. “De 10 ligações, uma é trote. Os pais precisam conscientizar seus filhos de que essa é uma prática que afeta a todos”.