O número de casos de tuberculose, doença infecto-contagiosa causada pelo Bacilo de Koch, tem preocupado os órgãos de saúde pública. Somente neste mês, segundo a Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (AMS), foram onze notificações positivas. Todos os pacientes já estão em tratamento. De 2013 a 2016, 88 pessoas foram infectadas com a bactéria. Deste montante, 44 concluíram o tratamento e receberam o diagnóstico de curadas, de acordo com relatório do departamento. O restante está em tratamento ou abandonaram o acompanhamento médico.
Já na área de abrangência da 16ª Regional de Saúde (RS), que contêm 16 municípios, foram registrados 52 casos, sendo oito já dados como curados, um abandonou o tratamento, e quatro resultaram na morte do paciente. Trinta e seis continuam em acompanhamento médico e três foram transferidos para outras cidades, que não fazem parte da 16ª RS.
O médico infectologista José Ruy, de Apucarana, observa que a tuberculose é uma doença comum em países mais pobres, como o Brasil, por causa dos problemas socioeconômicos, que influenciam as questões sanitárias, de higiene e nutricionais. A estimativa, segundo ele, é que um terço da população mundial tenha a bactéria alojada no organismo. Entretanto, o especialista chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da conclusão do tratamento. “Quando o paciente abandona o tratamento, a bactéria cria resistência aos medicamentos tomados, o que dificulta a cura posteriormente”, alerta.
Ainda segundo o médico, a vacina BGC, tomada na infância, previne somente contra os tipos graves da doença, como a meningite, por exemplo. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas. O principal deles é tosse prolongada com catarro. “Quando a tosse persistir por duas ou três semanas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde, para o médico verificar o quadro e pedir exames, se necessário”, orienta. Entre os exames mais comuns para obter o diagnóstico de tuberculose está o do escarro.
Conforme a AMS, em 2016, o laboratório agendou 443 exames, mas 234 pacientes não compareceram para a coleta de material, o que é um risco. O infectologista explica que o vírus pode permanecer latente, após o contágio, por até dois anos. “Geralmente, a doença surge após uma baixa do sistema imunológico. Quando o paciente inicia o tratamento, depois de duas semanas ele não transmite mais o vírus”, afirma.
Ainda de acordo com José Ruy, o paciente infectado com o Bacilo de Koch transmite a bactéria principalmente através da tosse e de espirros. Neste caso, as bactérias ficam alojadas nos pulmões e são expelidas pelas vias aéreas. Já pacientes com outras formas da doença, como óssea e renal, não transmite o bacilo.
O especialista recomenda para evitar a doenças cuidados simples como manter o ambiente arejado. Basicamente, segundo ele, são as mesmas recomendações da gripe, como manter as mãos higienizadas, e ao tossir, não colocar a mão na boca, mas o braço.
Profissionais recebem treinamento
Médicos, residentes multiprofissionais e equipes de enfermagem da Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (AMS) participaram nesta semana de uma capacitação para identificar e realizar tratamento de pacientes com tuberculose. No treinamento, os participantes receberam informações sobre o diagnóstico da doença e os procedimentos a serem tomados para a cura do paciente.
A médica Ione Nishikawa, especialista no tratamento de casos mais graves da doença, explicou que aos primeiros sintomas da tuberculose é preciso iniciar o tratamento, para inibir a propagação do bacilo. “A tuberculose é uma doença com 100% de cura, desde que o paciente faça uso da medicação de forma correta”.
A médica frisa que o maior problema é o tempo do tratamento, “pois o paciente precisa fazer uso da medicação diária por um período de seis meses e muita gente abandona”. Por isso, Ione reforça que a Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana tem realizado o Tratamento Diretamente Observado (TODO), para ter a certeza que o paciente realmente ingeriu o medicamento prescrito e necessário à cura da doença.
Todos os medicamentos necessários ao tratamento estão disponíveis na rede pública de saúde.