Dos mais de 4,4 mil nascimentos registrados no ano na região da 16ª Regional de Saúde de Apucarana, 522 ocorreram com até 36 semanas de gestação, o que equivale a 11,7% do total de partos. Ou seja, mais de uma em cada dez crianças nascidas são prematuras.
Normalmente, uma gestação dura cerca de 40 semanas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) é considerado prematuro o bebê que nasce antes de 37 semanas de gestação completas. O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking mundial de prematuridade com cerca de 300 mil bebês prematuros por ano – 11,5% do total de nascimentos no país. Na região, o município de Jandaia do Sul registra no ano o índice mais alto de partos prematuros, são 17,02%, seguido de Kaloré (15,50%) e Califórnia (14,4%). As taxas mais baixas foram registradas em Mauá da Serra (3,33%), Rio Bom (6,38%) e Borrazópolis (6,86%).
A prematuridade é a principal causa da mortalidade infantil e está relacionada a gestações na adolescência ou tardias, pré-natal deficitário e doenças maternas. No Hospital da Providência Materno Infantil, 69% das internações da UTI Neo Natal registradas no período de um ano são decorrentes de nascimentos prematuros. Em média, as crianças passam dois meses internadas.
Nicolas Gabriel, filho da operadora de caixa Greyce Gisele Martins Proença, 30 anos, de Apucarana, está há três meses na unidade. O bebê nasceu com 7 meses após a mãe sofrer de pré-eclâmpsia, o aumento da pressão arterial e que pode acarretar problemas de saúde para mãe e filho. “Descobri a gravidez no sexto mês e depois de 30 dias tive a pré-eclâmpsia e os médicos tiverem que induzir o nascimento para que a gente não sofresse nenhum problema de saúde”, explica.
Nicolas está internado na UTI desde que nasceu e ainda ficará por mais 15 dias sob os cuidados da equipe médica. “É difícil não poder levá-lo para casa, mas sei que aqui ele está bem cuidado e que na incubadora é como se meu filho tivesse dentro do útero. Logo estaremos em casa”, conta.
Segundo a pediatra do Materno Infantil, Daniela Lúcio dos Santos, a pré-eclâmpsia está entre as maiores causas de nascimentos prematuros . “A pressão começa a subir e o bebê tem que ser retirado às pressas do útero da mãe. Assim que a criança é retirada, a pressão da mãe normaliza”, explica.
De acordo com Daniela, as infecções, como a urinária, também podem desencadear o parto prematuro.
Ainda de acordo com a médica, quanto mais prematuro o bebê, maiores são os riscos para sua saúde, pois seus órgãos e sistemas ainda não estão completamente desenvolvidos. No entanto, com os constantes avanços da medicina, as chances deles se desenvolverem normalmente e com qualidade de vida são cada vez mais altas.
Segundo Maria Aparecida Moreira, coordenadora da Casa da Gestante, de Apucarana, existem alguns cuidados importantes para prevenir o parto prematuro. “Alguns fatores, como infecções urinárias, aumento de peso significativo e hipertensão, são as principais causas para que a mulher ganhe o bebe antes do tempo previsto. Por isso, a gente faz um acompanhamento médico e nutricional com as futuras mães”, explica.
A infecção urinária, por exemplo, de acordo com a coordenadora da Casa da Gestante. “Evite segurar a urina quando tiver vontade ou após a relação sexual, faça a higiene íntima todos os dias”, explica. Ao sentir os primeiros sintomas da infecção, Maria Aparecida aconselha a gestante a procurar um médico para iniciar a medicação.