A Igreja Ucraniana Nossa Senhora de Fátima promove hoje a 10ª edição da Festa da Primavera. A comemoração lota o gramado da ‘igrejinha do km 10’, como é mais conhecida. Os fiéis chegam para missa de manhã e ficam para o tradicional churrasco. Neste ano, a celebração promete ser ainda maior porque marca os 50 anos da igreja.
O pároco da igreja, o padre José Hadada, explica que o momento é especial e precisa ser festejado. “Nós vamos lembrar de todos que se empenharam na construção do local, com muito sacrifício”, complementa.
Hoje são esperadas em torno de mil pessoas da comunidade e de famílias ucranianas de Apucarana na festa. “A igreja segue com sua tradição devido ao comprometimento das famílias ucranianas e também ao espírito de fé e religiosidade”, ressalta.
A trajetória da igrejinha azul localizada na estrada Apucarana-Rio Bom, se mistura com a da comunidade ucraniana. Segundo o padre, a primeira igreja ucraniana católica - a comunidade também tem os cristãos ortodoxos - era uma capela de madeira construída na região do Barra Nova, localidade onde se concentravam as famílias ucranianas.
A data da construção da primeira igreja católica é incerta, mas a comunidade ucraniana católica iniciou as atividades em 1955, com a chegada do padre Valdomiro Haneiko. Além de reitor, ele atuava como professor de Português, no Colégio Estadual Nilo Cairo e alguns anos depois chegou a ser eleito deputado estadual.
Com o crescimento da comunidade, uma nova igreja começou a ser construída em 1961, no terreno doado pela família de João Baranhuk. O projeto foi assinado pelo engenheiro civil, Yaroslau Sessak. Já a obra foi tocada por membros da comunidade como Jaroslau Maistrovicz e Pedro Volanchuk, sendo inaugurada em 1968.
“A Igreja esteve a serviço da comunidade do rito-ucraniano católico durante muitos anos, até que fosse construída na cidade, a Paróquia do Divino Espírito Santo”, comenta o padre José Hadada.
Segundo o padre, atualmente, cerca de 50 famílias ucranianas ainda residem na região da Barra Nova, mantendo a tradição e o cuidado com a igreja. “Cerca de 200 famílias da região migraram para cidade, mas a igreja permanece”, comenta.
O aposentado Iroslau Volantichuik, 71, lembra nitidamente da época em que a igreja foi construído. Todos os primeiros domingos do mês, ele frequenta o local com a família e assiste às missas na paróquia. “Lembro como se fosse hoje da construção da paróquia”, recorda.
Ontem, Iroslau esteve entre os voluntários que participaram dos preparativos para a festa de hoje. “Não são todas as famílias que vêm, mas temos que prestigiar esse evento importante para a comunidade”, acrescenta.
A família de Rosnei dos Santos Conceição mora há 10 anos na propriedade. Ele é caseiro do local e cuida da igreja com ajuda da esposa Magna. As missas na igreja são realizadas sempre no 1º domingo do mês e sempre, segundo Magna, recebe dezenas de fiéis. “Acredito que igreja continua firme devido à tradição das famílias ucranianas que não deixam de participar das missas. Além disso, é um lugar bonito e recebe turistas que tiram fotos e vêm apreciar as belezas naturais do lugar”, ressalta.