CIDADES

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Um outro lado da PM

Vanuza Borges

| Edição de 10 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Desafio de bicicleta, show de talentos e até uma ‘cãominhada’ com direito a concurso de cachorro mais. Todos esses eventos têm em comum a organização da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar (PM) de Arapongas, que tem apostado em novas abordagens com o intuito de se aproximar mais da população e, mais que isso: mostrar um lado mais humano da corporação. No 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), de Apucarana, não é diferente. Há cerca de um ano várias inciativas de cunho cultural e social têm sido adotadas pela corporação. 

Imagem ilustrativa da imagem Um outro lado da PM


Visitas a escolas e entidades, campanhas de arrecadação de donativos e brinquedos, doação de sangue, concertos e até missas e celebrações religiosas especiais integraram a lista de atividades que foram realizadas pela PM dos dois municípios neste ano.
Essa aproximação vem do comando da Polícia Militar, que tem orientado as unidades a comemorar o aniversário da instituição - 163 anos completados em agosto - de forma estendida. 
As ações têm revelado uma outra face dos policiais militares. Recentemente, no Cine Teatro Mauá, em Arapongas, foi realizado um Show de Talentos. No palco, os policiais tinham uma missão diferente: encantar a plateia. Policiais de Arapongas e Apucarana se revezaram em apreensões artísticas, inclusive, stand up. 
“É uma orientação institucional e, diante disso, temos direcionados esforços para fazer uma outra abordagem, direcionada na dimensão do pensamento, com o objetivo de construir uma outra imagem do policial militar, mais humana”, revela o comandante da 7ª CIPM, de Arapongas, capitão Ademir da Fonseca Júnior.
Fonseca observa que essas atividades são essenciais para construir uma nova relação com a comunidade. “A população, em geral, tem contato com o policial militar numa situação de crime e essas atividades possibilitam um outro contato, um novo olhar. O contato com a população começa com a organização do evento, que demanda uma série de ligações”, diz.
Ainda de acordo com Fonseca, essas atividades que visam uma maior aproximação com a comunidade, ajudam o policial militar a manter o equilíbrio. “Por exemplo, para se apresentar no Show de Talentos foi preciso ensaiar, entrar em uma outra frequência. Num primeiro momento, a música parece que não tem nada a ver com o trabalho policial, mas tem. Ensina a trabalhar com a emoção, que é tão exigida no dia a dia”, diz.
Para o comandante do 10º BPM, de Apucarana, tenente-coronel José Francisco Cardoso, o trabalho de aproximação tem dois lados. “Primeiro é o da aproximação. Que a polícia não existe só para prender. O outro é que, com a aproximação, o policial passa tratar os moradores de forma diferenciada, porque passa a desenvolver esse tino”, diz.
Cardoso cita um episódio recente que aconteceu com ele e que mostra que a imagem do policial está mudando. 
“Um garotinho  veio me cumprimentar. Eu estava com outros dois policiais. A mãe dele disse que depois que ele assistiu uma apresentação do canil, na escola, passou a cumprimentar os policiais. Esse gesto revela que o policial passa a ser referência para as crianças e jovens”, comenta.
Na avaliação do comandante, essa aproximação, em especial em bairros mais carentes, é essencial a mudança de referência dos adolescentes. “Passará a ver o policial também como referência social e não só o bandido”, argumenta.

Guarda Municipal atua de forma conjunta
Em Arapongas, além da Polícia Militar, a Guarda Municipal também participa da patrulha comunitária. A missão dessa equipe visitar os bairros e conversar com os moradores e identificar problemas comuns, como falta de iluminação pública, poda de árvore. “Com auxílio da Guarda Municipal, esses pedidos são passados diretos para as secretariais responsáveis. Com isso, a população passa a perceber um resultado mais efetivo da presença das forças de segurança”, avalia o comandante da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar, de Arapongas, capitão Ademir Fonseca Júnior.
Na avaliação de Fonseca, esse tipo de abordagem é um diferencial no município. “Nós já temos percebido uma receptividade maior da população e também uma redução do índice de criminalidade. Com a PM mais próxima, ocorre uma inibição da criminalidade”, defende.