Em uma semana, duas pessoas foram atropeladas e ficaram gravemente feridas na Avenida Minas Gerais em Apucarana. Os acidentes envolvendo pedestres expõem a fragilidade da via e o perigo que representa aos usuários que precisam atravessá-la a pé. Trecho urbano da BR-376 e da BR- 369, a avenida divide vários bairros da cidade. Com grande fluxo de veículos, em especial no início da manhã e final da tarde, quem se arrisca a cruzar a via ainda tem que ficar atento as imprudências dos motoristas. Em diversos pontos, condutores não hesitam e fazem conversão à esquerda, comprometendo ainda mais a segurança dos usuários.
No dia 20 de abril, o adolescente Yuri Henrique da Silva, de apenas 12 anos, foi atingido por um veículo quando tentava atravessar a via. Ele havia acabado de sair do Colégio Estadual Polivalente de Apucarana. Yuri permanece internado em na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital da Providência. Sete dias depois, praticamente no mesmo local, o idoso Luís José dos Santos, 63, também foi atropelado e foi encaminhado em estado grave ao hospital. Além dos pedestres, é comum acidentes com veículos no local, principalmente envolvendo motociclistas.
Na quinta-feira, por volta das 14h30, a equipe da Tribuna esteve na Avenida Minas Gerais, em frente ao Supermercado Econômico, que concentra dois pontos de ônibus, para observar a situação dos pedestres. Em um minuto, quatro pessoas ficaram vulneráveis no meio da pista ao tentar atravessar a via. Em horários de picos, a situação é ainda mais complicada. “O trânsito aqui sempre foi violento”, afirma Carlos Lamourier, 45, dono de uma banca de revista há 20 anos na Avenida Minas Gerais.
Na opinião dele, que já presenciou diversos acidentes, inclusive, a morte por atropelamento do pai de um amigo em junho do ano passado, a avenida precisa de intervenção urgente. “O pedestre precisa de uma passarela. Tem dois pontos de ônibus, que são referência na região, e as pessoas não conseguem atravessar a pista”, afirma. Outra solução, segundo o empresário, seria a instalação de uma lombada eletrônica. “Se mexer com o bolso, o motorista começa a passar mais devagar”, acredita.
O empresário observa ainda que após a Prefeitura retirar uma ilha, que era um refúgio para os pedestres, em frente ao Posto Matrix, onde os motoristas param para fazer a conversão à esquerda, a situação ficou ainda mais complicada. O semáforo que tem naquele ponto não tem tempo para o pedestre, que obrigatoriamente tem que parar na linha divisória. “Antes o pedestre tinha onde parar, agora não”, diz.
O açougueiro Paulo César Ferreira da Silva, 45, que atravessa o local há 15 anos, confirma que é complicado cruzar a avenida. Ele foi uma das pessoas flagradas paradas no meio da pista para conseguir finalizar a travessia. “No horário de pico, chego a ficar mais de dez minutos esperando para atravessar. A instalação de uma passarela seria o correto aqui”, avalia.
O colega de trabalho Leandro Milani, 42, foi atropelado por um veículo quando tentava atravessar a pista. O acidente aconteceu há quatro anos. Por sorte, ele ficou apenas com luxação nos joelhos. “Os motoristas não respeitam. Ninguém consegue atravessar com segurança”, diz.
A dona de casa Sebastiana Borges Fernandes, 64, moradora da Vila Nova, conta que sempre que precisa passar pela Avenida Minas Gerais redobra a atenção. “No final da tarde já fiquei até 15 minutos esperando para atravessar. Uma passarela traria mais segurança”, acredita.
Escola planeja
abaixo-assinado
A Avenida Minas Gerais, em Apucarana, é motivo de preocupação para escolas e colégios nas proximidades. No horário de término de aula é comum presenciar estudantes atravessando a via. Nas proximidades, alunos do Colégio Platão, da Escola Municipal doutor Joaquim Vicente de Castro e do Colégio Estadual Polivalente de Apucarana atravessam a avenida com frequência.
O vice-diretor do Colégio Polivalente, professor Edmar Kazuhiro Thasaca revela que a situação é preocupante. “É muito perigoso”, afirma. Diante da preocupação, o vice-diretor adianta que o assunto será tema de reunião entre a associação de pais e do conselho escolar, que estudam fazer um abaixo-assinado para encaminhar aos órgãos competentes para resolver a falta de segurança na Avenida Minas Gerais. “Em alguns pontos seria necessário passarelas ou lombada eletrônica, porque os motoristas não respeitam o limite de velocidade”, avalia.
Prefeitura promete avaliar a situação
Para o superintendente municipal de trânsito, de Apucarana, Silnei Bolonhesi, a Avenida Minas Gerais sempre foi a via mais perigosa da cidade. Ele frisa que a Prefeitura já fez diversas intervenções, como reforço da sinalização e colocação de semáforos. “Vamos continuar investindo para melhorar a avenida”, afirma.
Sobre a possibilidade de instalação de uma passarela, Bolonhesi avalia que é uma obra muito dispendiosa. A solução mais barata, segundo o superintendente de trânsito, é a colocação de um semáforo.
A concessionária responsável pela via, a CCR RodoNorte, sentido Curitiba até a altura do Supermercado Condor, afirma que todas as passarelas previstas no contrato de concessão já foram instaladas. Já a Viapar, que é a administradora da sequência do trecho (sentido Londrina), depois do Condor, afirma que é responsabilidade da concessionária apenas a sinalização horizontal e vertical e reparos da pista.