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Uma chance contra os maus-tratos

Fernanda Neme

| Edição de 03 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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No último mês, Apucarana protagonizou casos de extrema violência contra animais. Três cachorros foram mortos por atropelamento na linha férrea em diferentes bairros da cidade e um sofreu mutilações. O cachorro que sobreviveu teve que amputar a pata direita traseira. Piuí, nome dado carinhosamente ao cachorro pela equipe do Canil Municipal de Apucarana, está se recuperando de um pós-operatório, e já encontrou um lar. Adotar animais que foram vítimas de maus tratos é uma das formas de colaborar com a causa animal, uma missão que tem inúmeros voluntários.

Imagem ilustrativa da imagem Uma chance contra os maus-tratos
Filhote que teve a perna amputada pelo trem recebe cuidados no canil: família adotou animal | Foto: Sérgio Rodrigo

Segundo o biólogo Luan Rafael, o Guapuruvu, gestor do Canil Municipal de Apucarana, o cachorro está bem, mas passa por uma quarentena devido aos riscos de contrair infecções e vírus. “Demos o nome dele de Piuí por causa do trem mesmo. Ele está se recuperando bem e logo estará pronto para conhecer sua nova família”, explica. 
A nova família de Piuí é da costureira Adriane Adorno, 38 anos. Ela é paranaense, mas vive atualmente em Bauru, interior de São Paulo. Porém, Adriane está vindo morar em Apucarana no dia 12 de setembro e vai ter um novo integrante na família. “Vi a matéria pelo Facebook e achei muita crueldade o que fizeram com esses bichinhos. Logo entrei em contato com o pessoal da Soprap para adotar o Piuí”. 
Adriane e sua família não veem a hora de conhecer o cachorrinho e até se emociona ao comentar a espera. “Queria ajudar de qualquer jeito desse animalzinho e assim que eu voltar para Apucarana pretendo participar de de ONGs que cuidam de bichinhos abandonados e mau tratados”, comenta. 
A faxineira Maria Aparecida Ferreira, 33, de Apucarana, também pensa assim. Ela resolveu adotar há dois meses a Mel, também vítima de maus tratos pelas ruas. Maria conta que a cachorra foi encontrada na rua com duas barras de ferro atravessadas em sua barriga. Ela estava prenha de cinco filhotes, que sobreviveram, e também já foram adotados por outras pessoas. 
Maria conta que agora a nova integrante da família passa bem e é a alegria da casa. “Tínhamos uma outra cachorra que chamava Mel, mas ela morreu um pouco antes da adoção. Meu filho estava muito triste e com a chegada da nova Mel ele voltou a sorrir”. 
Na casa da enfermeira Fernanda Beltoni, 36, voluntária da Sociedade Protetora dos Animais de Apucarana (Soprap) sempre cabe mais um. Apesar de manter duas cachorras e uma gata, ela abriu as portas para mais um membro, a Cacau. A cachorrinha chegou com a barriga sagrando e uma perna quebrada. “Até hoje não sei o que houve. Vizinhos da casa em que ela morava contaram que a Cacau e mais um outro animal saíram correndo de casa e foram atropeladas, mas parece a marca de um facão na barriga dela”. Cacau precisava de um lar temporário e Fernanda resolveu cuidar dela por um período.  Porém, a enfermeira e sua família, incluindo a filha Beatriz, se apegaram ao cachorro e acabaram Cacau acabou ficando. “Temos 9 gatos e 12 cachorros. Não conseguimos nos desfazer desses bichinhos. Eles nos trazem muita alegria. São anjinhos de quatro patas”. 
No Canil Municipal, 120 animais esperam por uma família.

Canil Municipal de Apucarana é referência

Imagem ilustrativa da imagem Uma chance contra os maus-tratos


Os recentes casos relacionados a maus-tratos estão na contramão da atual estrutura e serviços prestados no Canil Municipal de Apucarana, que é classificado como referência no estado.
Criado há 20 anos, o Canil Municipal passou anos sem receber a devida atenção do poder público. Após descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado em 2011 pela prefeitura  na gestão anterior à atual com o Ministério Público Estadual, o prefeito Beto Preto assumiu em 2013 o compromisso de construir um centro cirúrgico e reformar a sede do Recanto São Francisco de Assis (canil municipal). E, em março de 2016, as exigências do TAC foram cumpridas. 
“Temos orgulho em afirmar que nossa cidade dispõe de um canil municipal muito bem estruturado, que conta inclusive com ambulatório e centro cirúrgico, para castrações e pequenos procedimentos. É um trabalho sério de acolhimento e recuperação de cães e gatos, sempre contando com boa parceria da Soprap”, comenta o prefeito Beto Preto. 
No centro cirúrgico, a prefeitura investiu R$ 100 mil em mão de obra e materiais, enquanto a Sociedade Protetora dos Animais de Apucarana (Soprap) aplicou mais R$ 40 mil em equipamentos. “Já cadastramos uma média de 400 animais, entre cães e gatos”, informa Luan Rafael da Silva Santos, coordenador do canil municipal.
Dois finais de semana a cada mês, no centro cirúrgico do canil, ocorrem mutirões de castração, com médicos voluntários das clínicas particulares. A iniciativa atende animais de abrigos temporários  da Soprap.  “Também nos últimos quatro anos, os veículos sucateados foram substituídos. Hoje temos uma Kombi destinada a recolhimento e resgate de animais, e um Gol utilizado para averiguações de denúncias e serviços administrativos”, observa Luan Santos.