A utilização da Estrada do Araguari como rota alternativa de ligação entre Arapongas e Londrina ganhou força nos últimos dias. Após o anúncio de que prefeitura de Arapongas irá pavimentar o trecho dentro de seus domínios, agora é o município londrinense que afirma ter interesse em pavimentar também o seu trecho. Caso se concretize, a pavimentação da estrada - que percorre os dois municípios em 17 km - oferecerá uma via mais rápida e não-pedagiada para motoristas da região.
De acordo com o secretário municipal de Agricultura de Londrina, João Mendonça, há interesse do município em também pavimentar a sua parte estrada, que em Londrina é denominada Estrada do São Luiz. “Estamos observando os esforços de Arapongas e vamos, a partir deste mês de janeiro, iniciar as tratativas para também pavimentar a parte que nos compete. Temos esse interesse em fazer a obra. Vamos buscar um convênio para viabilizar esta pavimentação. Nosso município tem tido sucesso em firmar parcerias, sobretudo com o Governo Federal e acredito que neste caso não será diferente”, destaca.
“Acreditamos que as vantagens da pavimentação da Estrada do Araguari seriam muitas. Esta é uma importante via de interligação regional e, após pavimentada, pode contemplar o translado de alunos, pacientes, produtos e serviços. Além disso, há também a possibilidade de incrementar o turismo rural da região. É uma obra que vai valorizar ainda mais a região, desenvolvendo-a”, ressalta o secretário.
A Estrada do Araguari é uma via rural de 17 quilômetros que, atualmente, é toda de terra. A Prefeitura de Arapongas busca conservar os 12 quilômetros que passam dentro do município, visto que ela é a ligação entre a BR-369 e o Assentamento Dorcelina Folador. No local, 92 famílias de antigos Sem-Terra trabalham e comercializam seus produtos.
O repasse de R$ 2,8 milhões para a pavimentação com pedras irregulares do trecho araponguense aconteceu em setembro último. A verba partiu da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Desde então, o prefeito Sérgio Onofre (PSC) trabalha para fazer com que Londrina também melhore o trecho de 5 quilômetros pertencente ao município.
“Esta é uma via importante do nosso município e que, ao ser pavimentada, irá proporcionar um deslocamento melhor para os moradores da região, além de facilitar o escoamento da produção agrícola, sobretudo do Assentamento Dorcelina Folador. A pavimentação da Estrada do Araguari é uma reivindicação muito antiga dos moradores dessa região”, afirmou o prefeito.
Moradores pediam há anos pavimentação
Do início da Estrada do Araguari, ao lado da empresa Nortox, na BR- 369, no Distrito de Aricanduva, em Arapongas, até a Gleba Palhano, ao lado do Shopping Catuaí, em Londrina, são 45 km, sendo 17 km de estrada de chão. A reportagem fez esse percurso.
Em quilômetros, a viagem fica um pouco mais curta, cerca de 5 km a menos, que no trajeto tradicional pela BR-369 e PR- 445, a Rodovia Celso Garcia Cid. O diferencial, no entanto, está no não pagamento do pedágio e também nas belas paisagens rurais, como do Parque Estadual Mata do Godoy.
Por outro lado, a condição da via não é das melhores. Por ser uma via rural, buracos, trechos sem cascalho e sinalização precária acompanham praticamente todo o trajeto. O tempo de viagem, diante das condições da estrada não difere muito, caso o itinerário fosse feito pela BR-369 e PR-445. São cerca de 40 minutos para concluir o trajeto.
A viagem pela Estrada do Araguari tem início no Distrito de Aricanduva. Seis quilômetros depois, aparece a entrada o Assentamento Dorcelina Folador, referência de projeto bem-sucedido da reforma agrária, e que movimenta a localidade. Não só por uma questão populacional, uma vez que tem 92 famílias vivendo da agricultura familiar no local, mas também pela movimentação de veículos, que entram e saem da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), que processa cerca de 20 mil litros de leite todos os dias, esse trecho é um dos mais movimentados da estrada.
De modo geral, a Estrada do Araguari - tanto antes, quanto depois do Assentamento - está bem conservada. Recebeu cascalho recentemente e os veículos não enfrentam dificuldades.
Para o motorista apucaranense Claudinei Metta, de 48 anos, a pavimentação com pedras irregulares vai melhorar significativamente o percurso, inclusive para quem decidir ir para Londrina. “Com a pavimentação, eu acredito que vai incentivar mais pessoas a usarem a estrada, porque vai ficar mais fácil o deslocamento, inclusive para Londrina”, diz.
Os agricultores Ozir Fernandes, 48 anos, e Nelson Koliski, 62, moradores do Dorcelina Folador, avaliam que as obras de pavimentação irão melhorar o tráfego de veículos na localidade. Eles destacam, entretanto, que o pior pedaço está na Estrada do São Luiz. “Hoje em dia, a outra parte da estrada tem muito buraco. É uma tristeza”, diz Ozir.
Para a moradora de uma propriedade rural próxima ao Assentamento, Ana Flávia Amaro, 45 anos, a pavimentação vai facilitar, e muito, o transporte na localidade. “É uma obra esperada há mais de 30 anos, o que também facilitará o acesso a Londrina”, diz. (VANUZA BORGES)
Trecho passa pela Mata dos Godoy
Após a divisa entre Arapongas e Londrina, a estrada passa a chamar estrada do São Luiz. Com menos manutenção, as condições da via tem uma piora significativa. Em alguns trechos, o cascalho sumiu e a estrada é de terra batida, o que dificulta o trajeto principalmente em dias de chuvas, por causa da lama que se forma.
O trecho, entretanto, é mais curto, soma quase 5 km. Depois de 17 km por estradas rurais, a viagem acontece através da PR-538 (Rodovia Mábio Gonçalves Palhano), que à direita, após 3 km, está o Distrito de São Luís, e à esquerda, após 7 km, surge o Patrimônio Regina. Em ambos os sentidos, a rodovia tem problemas na malha viária, que se encontrada desgastada, não tem acostamento em alguns trechos, assim como sinalização vertical e horizontal, inclusive falta faixa divisória da pista em alguns momentos.
Um dos trechos mais bonitos da viagem concentra-se no Parque Estadual Mata do Godoy, porém a beleza não esconde o perigo. Curvas acentuadas e sem acostamento. Logo depois, a rodovia corta o Patrimônio Regina, mas as condições da pista não mudam. O asfalto continua desgastado, buracos e sem sinalização.
A situação só se altera após a entrada em Londrina, através da Rodovia Mábio Gonçalves Palhano, que está bem sinalizada e com a malha viária em boas condições. O trânsito flui melhor e, em poucos minutos, é possível avistar o Shopping Catuaí.