Desde que a CCR RodoNorte assumiu a concessão da BR-376, entre Apucarana e Ponta Grossa, o índice de acidentes caiu 67%. Porém, o que mais chama atenção é que o número de mortes na estrada caiu ainda mais: 75%. Uma das principais explicações para este índice é o serviço de auxílio e atendimento ao usuário, algo inexistente antes da concessão. São pessoas que estão 24 horas por dia, 365 dias por ano, de prontidão para oferecer todo tipo de atendimento a motoristas e passageiros. Um dos diferenciais dessas equipes de resgate é o alto grau de treinamento a que elas são submetidas.
O médico Dalton Scarpin Gomes, responsável técnico da CCR RodoNorte junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e coordenador das áreas de admissão e treinamento dos socorristas da empresa, lembra que não existiam equipes dedicadas ao atendimento e resgate de pessoas que sofriam acidentes antes de 1998 no estado. Quem iniciou estes trabalhos foi o Corpo de Bombeiros, por meio do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate).
“Com base no Siate, foi incluída nos contratos de concessão das rodovias federais do Paraná esta obrigação. Felizmente isto aconteceu. Antes, no período em que as rodovias eram administradas pelo governo, os atendimentos eram realizados de qualquer jeito. Era comum simplesmente colocarem a vítima na caçamba de uma picape e levá-la ao hospital”, relata ele.
Tudo isso mudou depois que o controle das rodovias passou à iniciativa privada. Uma das provas é que, com o amadurecimento dos sistemas e protocolos do chamado Atendimento Pré-Hospitalar (APH), boa parte da população sabe hoje que não se deve, por exemplo, mexer em alguém ferido, que pe preciso aguardar a chegada das equipes de socorro para que uma possível lesão não seja agravada.
“Este atendimento é de suma importância, pois é o primeiro em uma situação de trauma, atuando em situações de urgência que acontecem fora de um ambiente hospitalar. O objetivo desses atendimentos é, inicialmente, estabilizar o paciente, ou seja, conter uma hemorragia, imobilizar um membro fraturado e até realizar uma reanimação, para então encaminhar este paciente ao hospital mais adequado”, relata Gomes.
O trabalho de APH pode contribuir para evitar o agravamento de lesões e até mesmo reduzir as consequências de um acidente, podendo evitar até a necessidade de um leito de UTI para o paciente. O médico destaca ainda que o sistema utilizado pela CCR RodoNorte é desenvolvido localmente, com base em protocolos criados nos Estados Unidos. “No dia-a-dia, as pessoas podem escolher qual médico desejam consultar. Em um acidente, não existe esta opção. Por isso, o socorrista tem que ser o melhor, o mais preparado. Não é à toa que estamos, sem dúvida nenhuma, entre as melhores equipes do país”.
Equipes realizam treinamentos todos os meses
Ao lidar com vidas, a eficiência máxima é fundamental. Após o ingresso ao quadro de funcionários da CCR RodoNorte, os profissionais passam por treinamentos mensais, que abordam os mais diferentes temas, como procedimentos de enfermagem, manobra de via aérea, reanimação cardiopulmonar, fraturas expostas, desencarceramento de pessoas presas às ferragens, entre outras situações.
Os treinamentos sempre abordam situações diferentes, casos diferentes e pessoas diferentes em cada atendimento. Além disso, os socorristas realizam avaliações práticas e teóricas todos os anos. Há também, pelo menos uma vez por ano, treinamentos especiais para salvamentos em lugares com difícil acesso, com uso de técnicas como o rapel. “Nossa busca é pela excelência em preparo. Ou seja, não importa a situação, nos antecipamos para que nossas equipes estejam prontas”, afirma Dalton Gomes.
Processo de seleção é rígido
Por se tratar de um atendimento de urgência, em que decisões precisam ser tomadas o mais rapidamente possível e com espaço quase nulo para equívocos, o sistema de seleção de profissionais é de alto rigor. Atualmente, cerca de 70 pessoas fazem parte do quadro de funcionários da CCR RodoNorte para Atendimento-Pré-Hospitalar (APH). Destes, 10 são médicos, cinco são enfermeiros e um é farmacêutico.
Para se tornar apto a preencher uma vaga na equipe de APH, o candidato precisa, inicialmente, ter cursos de socorrista e também de enfermagem, além de ter a Carteira Nacional de Habilitação categoria D, que possibilita a condução de uma ambulância. O processo de seleção é feito anualmente.
“Os candidatos com currículos selecionados passam então por entrevistas com dois médicos, um enfermeiro e um psicólogo, que avaliam o grau de preparo técnico e mental dos postulantes a uma vaga. O sistema é tão rígido que, das 200 pessoas que anualmente se candidatam, apenas 30 passam por esta fase”, explica o médico que coordena o processo de seleção, Dalton Scarpin Gomes.
Depois, os selecionados passam por um curso intensivo de 11 dias, onde recebem aulas teóricas e práticas das 7 às 22 horas, em sistema de internato. “Durante todo este tempo, eles são continuamente avaliados. Como eles agem, se comportam, se interessam e se desenvolvem nas aulas: tudo isso é levado em consideração”, diz o médico.
Ao final do processo, eles passam por uma simulação de atendimento idêntica à que enfrentarão em um dia de trabalho intenso. Os aprovados passam 60 dias em estágio probatório com outros dois socorristas experientes que, ao final do período, escrevem um relatório. Só com esta aprovação é que o candidato se torna um socorrista da CCR RodoNorte.
Um atendimento a cada 5 minutos
As equipes do SOS Usuário (nome que a CCR RodoNorte dá a sua equipe de atendimento) realizam, em média, 11 atendimentos por hora, o que significa um atendimento a cada cinco minutos e meio. Estes atendimentos vão desde um acidente grave até uma ocorrência mais simples, passando por socorro a veículos com pane mecânica ou elétrica, retirada de objetos da pista, entre outras situações.
Considerando os diversos tipos de ajuda prestada, todos os dias as equipem fazem mais de 260 atendimentos a usuários. Em um ano, esse número chega a quase 100 mil atendimentos. Estes serviços funcionam 24 horas por dia, 365 dias por ano, em todo o trecho de concessão.
Quando um usuário liga para o telefone de emergência, ele fala com uma equipe de operadores em uma central de monitoramento. Esta central recebe imagens de diversos pontos da pista em tempo real. Assim que um chamado é recebido, a ambulância já começa a se deslocar, juntamente com um caminhão-guincho, que ajudará na sinalização da pista até a chegada da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que também é acionada imediatamente.
As viaturas e os serviços são mobilizados ao chamado via rádio. Como o monitoramento da frota é feito por GPS, é possível saber a localização exata de cada viatura a cada 30 segundos. O sistema facilita o direcionamento do atendimento e a destinação das viaturas que estão mais próximas da ocorrência.
Ao chegar no local indicado, o socorrista tem cinco minutos para avaliar a situação e passar as informações necessárias ao médico responsável, que irá orientar o atendimento. Tudo é feito através de um protocolo médico de atendimento a acidentes, que é exaustivamente treinado.
As equipes médicas, além dos atendimentos a acidentes, também realizam dezenas de atendimentos chamados clínicos, que é quando um usuário ou morador de comunidade vizinha à rodovia, precisa de algum tipo de assistência médica. É comum as bases do SOS Usuário receberem pessoas machucadas por acidentes domésticos, mulheres em trabalho de parto, pessoas com suspeita de enfarte, entre outros. Por mês, o número deste tipo de atendimento passa de 100.
Atendimento com humanidade
Sílvio Cézar de Sene é agente de monitoramento de tráfego. Ele dirige tanto os guinchos leve (plataforma) quanto o pesado, para caminhões e serviços de maior complexidade, e fica no posto de Mauá da Serra do SOS Usuário. Sílvio começou a trabalhar na CCR RodoNorte no primeiro dia de concessão, há quase 20 anos atrás.
O agente de monitoramento de tráfego diz já ter perdido a conta de quantos atendimentos já prestou. Segundo ele, são em média 12 atendimentos diários. “A situação mudou muito desde a época que comecei. Antes, havia muitos acidentes com veículos caindo em ribanceiras. Depois que a CCR RodoNorte começou a modernização da rodovia, com barreiras de concreto e ‘guard-rails’, isso acabou”, conta.
De todas as situações que ele já passou na rodovia, ele garante que guarda apenas as boas histórias. “Ver nos olhos das pessoas a satisfação depois que as ajudamos não tem preço. Nos sentimos realizados em auxiliar os usuários”, afirma.