Nas eleições realizadas no último domingo, os eleitores promoveram uma renovação significativa na Câmara de Apucarana, ou seja, de 73%. Dos nove vereadores que tentaram a reeleição, apenas três conseguiram se manter na Casa de Leis. Outros dois desistiram da disputa.
No quadro do Legislativo para o próximo mandato estarão oito novatos que nunca ocuparam cadeiras na Câmara. O resultado mostra que os eleitores de Apucarana, na sua maioria, ou não aprovaram a atuação dos atuais vereadores ou decidiram dar chance para outras lideranças da comunidade.
Vale lembrar que a atual Câmara sofreu um desgaste político em determinadas situações, principalmente quanto à questão de aumentar ou não o número de vagas para o próximo mandato. Além de contradições jurídicas nas votações de projetos desta natureza, houve recusa do projeto de lei de iniciativa popular apresentado pelo Observatório Social, que mantinha o número atual de cadeiras. Em função disso, ocorreram protestos populares.
Também houve polêmica na questão de reduzir ou não os subsídios para o próximo mandato. Vereadores decidiram pela manutenção dos valores atuais e até agora não decidiram nada sobre o projeto de iniciativa popular do grupo Cristãos pelo Brasil, que nivela os subsídios ao piso nacional do magistério municipal.
Em função disso, os vereadores foram muito criticados pelas redes sociais, o que pode ter levado a esta renovação.
Vereadores eleitos de primeira viagem prometem recuperar este desgaste popular que o Legislativo de Apucarana sofreu neste mandato, embora salientem que respeitam o trabalho desenvolvido por esta Legislatura.
O vereador mais votado, advogado Rodolfo Mota (PSD), 29 anos, prefere não fazer comentário sobre o Legislativo atual, argumentando que respeita o trabalho de todos. No entanto, assinala que, na condição de eleito, tem duas missões a cumprir no mandato. “Primeiro quero fazer a Câmara cumprir seu papel, devolvendo a Câmara para o povo. É preciso tornar a Câmara a casa do povo novamente”, declara.
Em segundo lugar, Mota afirma que pretende ajudar o prefeito Beto Preto a fazer um segundo mandato ainda melhor que o primeiro, que na sua opinião foi muito bom.
Lucas Leugi (REDE), 27 anos, advogado, afirma que não lhe cabe avaliar a atual Legislatura. “A voz do povo que veio das urnas já fez a sua avaliação da Câmara”, observa o novo vereador, dizendo que respeita a todos naquela Casa de Leis.
Da sua parte, Lucas Leugi diz que pretende representar bem os 2.478 votos que recebeu nas urnas. “Quero representar bem Apucarana como um todo, quero fazer um mandato resgatando a importância da Câmara para o povo”, declara.
Necessidade de mais postura
O mestre de obras Antônio Marques da Silva (PSD), o Marcos da Vila Reis, 44 anos, diz não ter uma opinião formada sobre a Legislatura atual. “Não é fácil agradar a toda a população, mas pode ser que faltou postura dos vereadores em determinada situação, talvez faltou personalidade na hora de votar determinados projetos”, avalia. “Claro que os vereadores trabalharam bem”, diz.
Na condição de vereador eleito de primeira viagem, Marcos da Vila Reis que pretende atuar com seriedade. “A grande missão que temos agora é recuperar a credibilidade política da Câmara junto ao povo”, afirma.
Antônio Carlos Sidrin (DEM), o Sidrin do Trânsito, 47 anos, servidor público municipal, prefere não comentar nada sobre a atuação da Câmara neste mandato. “Eu quero apenas fazer um trabalho diferenciado na Câmara, independente de partido. As eleições já acabaram, agora temos que pensar na população. Tudo que for bom para Apucarana vamos aprovar”, assegura.
É preciso ouvir o clamor popular
O empresário Gentil Pereira de Souza Filho (PV), 54 anos, considera regular o trabalho da Câmara atual. “O Legislativo tem bons vereadores, talvez faltou atender aos clamores da sociedade em determinados projetos”, avalia.
Sobre sua própria atuação naquela Casa de Leis, Gentil Pereira tem uma posição clara. “Vamos ter uma postura firme na hora de votar. O que é bom para Apucarana, bom para a comunidade vamos aprovar, porque este é o meu compromisso com os eleitores e com as entidades que me apoiaram”, declara Gentil Pereira.
Francisley Preto Godoy (PSB), 50 anos, popular Poim, servidor público municipal, avalia que a atual Legislatura foi regular, mas que a expectativa do povo era a de que fosse mais ativa e mais atuante nos distritos. Também faltou mais união e maior comunicação entre os vereadores”, analisa.
Como eleito, Poim assegura que pretende ser um vereador atuante, criando leis que favoreçam toda a população. Vamos aprovar todos os projetos do Executivo que forem bons para o povo”, garante.
O empresário Gabriel Caldeira (PSDB), 55 anos, analisa que um dos problemas da atual Legislativa talvez seja o fato de que faltou um pouco mais de pulso dos vereadores na hora de votar determinados projetos. “O povo não está preocupado com discursos na Câmara, mas com o que você faz ou vai fazer”, diz.
Quanto à sua atuação no Legislativo, Caldeira vai aprovar tudo que for bom para o município, afirma ele, que foi eleito pela oposição. “Como filiado ao PSDB eu sou filho de sangue do governador Beto Richa e o prefeito Beto Preto é o filho adotivo”, afirma, para explicar que deseja o bem para o povo de Apucarana.
Márcia Regina de Sousa (PSD), 44 anos, assistente social e servidora pública, não tem opinião formada sobre a Legislatura atual. Ela explica que, pelo que percebeu nas visitas domiciliares nesta campanha, faltou visualizar o verdadeiro papel do vereador. “Não está claro para a comunidade o verdadeiro papel do vereador. E quando a comunidade não entende este papel, fica difícil difícil para o vereador entrar nesta comunidade”. Sobre sua atuação no Legislativo, Márcia Sousa afirma que vai ser da mesma forma que há vinte anos atua no serviço público. “Com integridade, honestidade, transparência e muita vontade de trabalhar”.