Funcionários da Viapar fecharam mais uma vez o trecho utilizado como desvio do pedágio na zona rural de Arapongas. Conforme informações da Guarda Municipal (GM), uma equipe foi acionada para garantir a segurança dos trabalhadores durante os serviços, pois na quarta-feira (23) à noite, usuários reabriram a passagem.
Quem tentou utilizar o desvio ontem saiu frustrado. É o caso do construtor Neraldo Antunes Cintra, que trabalha em Rolândia e mora em Arapongas, e passava todos os dias pelo local. “Isso é um absurdo, somos trabalhadores e temos direito de escolher não pagar o pedágio. Sem contar o perigo que ficou essa cratera aberta aqui desse jeito, o risco de alguém cair é muito grande”, disse.
A dona de casa Maria Aparecida Guedes foi até o local para ver o tamanho da valeta cavada por funcionários da concessionária. Preocupada, ela decidiu ficar no local e ajudar a orientar condutores que tentavam passar por ali. “Meu marido mora em Rolândia e trabalha em Arapongas, ele precisa passar por aqui todos os dias, não sei como vai fazer agora, e ficou muito perigoso, se eu não estou aqui já teria uns dois motociclistas caídos aí dentro”, conta.
A representante do movimento Tarifa Zero de Rolândia Isabel Martins, também esteve no local com uma equipe para orientar os condutores. Ela classifica o episódio como absurdo. “Só queremos um acordo com a Viapar, para quem mora em Rolândia ou Arapongas e precisa passar por aqui todos os dias, que possa pagar uma tarifa mais justa, mais barata. Só passa por aqui gente humilde, que realmente precisa. Isso é absurdo”, afirmou.
O prefeito, Sérgio Onofre, explica que a concessionária Viapar moveu ação judicial e comprovou na Justiça Federal que o trecho é usado como rota de fuga do pedágio. A Justiça então sentenciou o município a providenciar o bloqueio. “O dever era do município, mas como não foi feito, a Viapar tomou a frente, pois tem direito de interditar”, explica o prefeito.
O trecho é alvo de muitas discussões. Mesmo após acordo entre a concessionária e o município, o trecho ainda é usado por alguns motoristas como acesso para desviar do pedágio da BR-369. Só neste ano, a Viapar tentou interditar a rota várias vezes. Contudo, os usuários sempre encontram uma maneira de reabrir a passagem. Em abril parte do muro que foi erguido para impedir a passagem foi quebrado.
A disputa entre concessionária e usuários da rota vem sendo travada desde 2017.
OUTRO LADO
A empresa Viapar divulgou uma nota sobre o assunto onde afirma que o impedimento está de acordo com um termo de cooperação firmado com o município.
“O local não se trata de uma estrada alternativa, mas um terreno de propriedade do município de Arapongas. Saindo do terreno pertencente ao município e em direção a estrada Ceboleiros, motoristas criaram um caminho alternativo, mas que passa por dentro de uma propriedade privada. Em suma: trata-se de uma rota de fuga implantada dentro de uma propriedade privada e de um terreno pertencente à Prefeitura de Arapongas. Já existe um termo de cooperação entre a Viapar e a prefeitura que oferece desconto aos usuários residentes naquele município e devidamente cadastrados”, diz a nota.