Votos de pobreza, de castidade e obediência. Trocar a família e a carreira pelo trabalho de evangelização. Essa é a rotina dos missionários leigos, católicos que se dedicam à tarefa de disseminar a fé. Caso da apucaranense Lea Cristina Biazeto da Silva, 43 anos, que há vinte anos abandonou emprego, faculdade, namorado e família para seguir em missão.
Ele conta que aos 21 anos conheceu a comunidade católica Mar a Dentro e se tornou uma leiga consagrada. De família católica, ela afirma que sentiu o chamado ainda criança. “Quando tinha 11 ou 12 anos estudava no colégio São José e, durante uma aula de religião, foi apresentado um filme da Madre Tereza de Calcutá. Quando o filme foi passando, algo aconteceu de diferente em mim, vendo o exemplo da Madre Tereza, pensei, é isto que quero para minha vida. Fui crescendo e este desejo nunca me abandonou totalmente”, detalha.
Quando decidiu abraçar a causa, sua decisão causou espanto. “As pessoas me perguntam: você não amava sua família? Você não queria casar? Eu amava minha família, minha profissão e queria casar, mas deixei tudo por um amor maior. Fiz votos perpétuos com 27 anos, quando decidi que para sempre queria viver totalmente entregue a vontade de Deus”, comenta.
Em missão Lea morou em Minas Gerais e no Pará e há quatro anos vive no Chile. “Outra cultura, outro país, outra língua. Um novo desafio. Aqui a igreja está muito ferida, há uma necessidade grande de proclamar o amor de Deus. Aqui ajudo também na pastoral universitária, nos colégios católicos, na paróquia. “O que sustenta minha vocação, minha alegria e amor durante estes 20 anos? Sem dúvida nenhuma é a presença constante do Espírito de Deus em mim, e a misericórdia do Pai manifestada através de Jesus”, ressalta.
Que também não se arrepende de ter tomado a mesma decisão é apucaranense Morgana Colombo, 44 anos, 24 deles dedicados à missão. Foi através de um grupo de jovens da Catedral Nossa Senhora de Lourdes ela também conheceu a comunidade Mar a Dentro.
Morgana já morou em Minas Gerais, no interior de São Paulo, Paraá e há 10 anos vive em missão no Rio de Janeiro. “Como toda vocação existe seus desafios pessoais. Existem muitos jovens que Deus chama para consagrar sua vida, que o Senhor possa tocar muitos corações. Em missão rezamos pelas pessoas, realizamos acompanhamento espiritual, trabalhamos com pessoas carentes, projetos sociais, oferecendo a evangelização também através dessa promoção humana”, finaliza.