A Polícia Civil confirmou ontem a fuga, durante a madrugada, de 28 detentos do setor de carceragem temporária da 22º Subdivisão Policial (SDP) de Arapongas. Eles cavaram um buraco na laje e conseguiram acesso ao lado de fora através do solário. Um dos fugitivos foi recapturado logo na sequência pela Polícia Militar (PM).
A ação aconteceu perto das 3h30. Logo que os funcionários da delegacia identificaram a fuga, a PM foi acionada para dar suporte e apoio na contenção dos fugitivos. Segundo a PM, as equipes evitaram uma fuga ainda maior de presos. No momento da chegada das equipes policiais, presos ainda estavam nos telhados e muros da parte externa do prédio. Os policiais dispararam contra os fugitivos, que foram contidos e encaminhados para o interior da cadeia.
Já dentro das dependências do presídio, outros detentos estavam escondidos nos forros da laje, onde conseguiriam acesso a outros setores da delegacia. As equipes tiveram dificuldade em conter a situação, já que os presos resistiram à ação. Ainda em diligências nas proximidades, um dos fugitivos foi recapturado.
Durante a tarde de ontem, a Polícia Civil realizou a contagem oficial dos presos, identificando o número de fugitivos. A carceragem também foi vistoriada e os primeiros reparos foram feitos.
SUPERLOTAÇÃO
A Cadeia Pública de Arapongas tem capacidade para 38 presos, mas há muito tempo apresenta problemas com os detentos em função da superlotação do espaço, que abriga geralmente 200 detentos. Ontem à noite, após recontagem a Polícia Civil divulgou que a unidade conta com 170 detentos, entre homens e mulheres, que têm ala separada.
Com uma população cinco vezes maior, tentativas de fuga, rebeliões e motins são atos frequentes na unidade. Nos últimos cinco meses, foram quatro fugas. A última foi no início de maio, quando 10 detentos conseguiram escapar através de um buraco.
A criação de um Centro de Detenção Provisória (CDP) já é estudado há tempos, mas ainda não saiu do papel. Além de superlotada, a cadeia é antiga e tem graves problemas estruturais.
Após sucessivas fugas e tentativas, a cadeia não tem mais separação de celas e os presos circulam livremente pelos corredores da unidade. A fragilidade das paredes e da laje facilita os planos de fuga.