Vinte e seis detentos fugiram da carceragem da 22ª Subdivisão Policial (SDP), de Arapongas. A fuga em massa ocorreu durante a madrugada de ontem, por volta das seis da manhã. Os detentos serraram as grades do solário e fugiram. O número de fugitivos só foi confirmado no final da tarde de ontem pelo delegado Carlos Marcelo Sakuma, responsável pela cadeia, após a revista e contagem nominal dos presos.
Cerca de trinta agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE), do Departamento de Execução Penal (Depen), de Londrina, passaram à tarde na carceragem, para ajudar na revista e contagem dos detentos. Ontem à tarde, profissionais foram até o local para soldar a grade serrada.
A movimentação foi percebida por um policial civil e dois agentes carcerários, que acionaram o reforço, mas não conseguiram impedir a evasão dos presos. Esta foi a primeira fuga registrada neste ano, porém a unidade registra tentativas com frequência. No ano passado, em setembro, duas fugas foram registradas em menos de quinze dias. Durante todo o ano passado, foram, no mínimo, quatro.
A cadeia de Arapongas tem um histórico de problemas, que vai além de fugas e tentativas, como superlotação e estrutura comprometida, com rachaduras e infiltrações. Atualmente, o prédio, projetado inicialmente para 36 detentos, abriga cerca de 200.
Para o delegado Sakuma, a fuga expõe a situação precária não só prédio, mas do sistema prisional. “Toda semana temos tentativas de fugas de presos e vai ser assim enquanto tiver a carceragem anexa à delegacia. Não tem o que fazer”, avalia. Ao mesmo tempo, ele chama atenção para a falta de profissionais para fazer a segurança dos presos.
Sakuma observa que a situação toda é irregular. “Os presos deveriam ficar detidos neste espaço enquanto são feitos os flagrantes. Presos deveriam ficar nas casas de custódias ou na penitenciária. Nós temos, inclusive, vários detentos condenados”, adverte.
Segundo o delegado, o problema só será resolvido quando for construído um presídio. Sobre o Centro de Detenção Provisório reivindicado pela prefeitura e entidades, ele avalia que vai demorar para sair do papel. “Estamos brigando para sair daqui uns cinco ou seis anos. Isso é reflexo da falta de planejamento de contratação de agentes e construção de cadeias”, acredita.
No último mês, uma comissão, a pedido do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), de Arapongas, fez uma perícia e concluiu que o prédio está praticamente condenado.
CDP
O Conseg também reivindica a construção do Centro de Detenção Provisório (CDP), para resolver o problema da superlotação. Um dossiê, com todas as informações, deve ser entregue Secretaria de Segurança Pública nos próximos dias.
Ontem, enquanto agentes do Soe, faziam a revista e contagem dos presos, familiares aguardavam do lado de fora. A permanência, em especial de esposas, era para evitar abusos dos policiais.