“Fiquei impressionada. Eu não esperava que ninguém viesse perguntar como eu estava”. O relato é de uma mulher, de 26 anos, vítima de um assalto em Arapongas e uma das beneficiadas pela Rede Municipal de Apoio e Referência à vítima (Remar), que iniciou as atividades há cerca de um mês e visa atender vítimas de violência no município. Camila (nome fictício) foi assaltada recentemente e, após passar por quase uma hora na mira de bandidos armados, que a agrediram, ameaçaram e, inclusive, a fotografaram, ela não esconde que precisa de ajuda especializada.
“Nos primeiros dias, eu não conseguia sair de casa”, conta a moça. A jovem revela que a visita a tem ajudado a superar a situação. “Conversaram bastante comigo, fizeram algumas orientações sobre segurança e também agendaram uma consulta com psicólogo. Inclusive, o pessoal da Unidade de Saúde ligou para saber como eu estava e também para marcar a data do atendimento”, comenta. A visita foi feita pela Guarda Municipal e também por um profissional da Secretaria de Assistência Social.
Além do suporte emocional, a araponguense observa que também foi assistida na parte jurídica. “Fui até o Ministério Público. Conversei com o promotor, que me orientou sobre o inquérito e como deve proceder, caso sejam presos. Eu me senti acolhida”, define.
Além de Camila, a equipe do Remar, que conta com a Guarda Municipal, Secretaria de Saúde, Assistência Social, Policia Militar, Policia Civil, Ministério Público e Unopar, também está acompanhando outros casos de crimes violentos, que ocorreram na cidade entre setembro e outubro.
Em 45 dias, foram atendidas 10 ocorrências de assaltos violentos. “Contudo, por dia, nós fazemos cerca de cinco visitas. Geralmente, as pessoas ficam surpresas com a nossa chegada. Quando já percebemos a necessidade de acompanhamento psicológico, fazemos o encaminhamento. De cada dez casos, seis aceitam ajuda psicológica para superar a situação”, calcula o guarda municipal Odair Jacinto de Souza, que faz parte da equipe junto com o GM Fabiano Pinheiro.
Neste período, das visitas realizadas, em onze situações, o atendimento foi dado sequência com encaminhamentos à Secretaria de Saúde para atendimento psicológico e ao ao Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas).
O projeto Remar, que é pioneiro no Brasil no atendimento à vítima de violência, funciona na sede da Guarda Municipal e vítimas de violência podem procurar pessoalmente o serviço no horário comércio. (VANUZA BORGES)