ABRAHAM SHAPIRO

min de leitura

Nunca desista, depende?

Da Redação

| Edição de 28 de setembro de 2026 | Atualizado em 28 de setembro de 2026

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Nunca desista” é uma frase perfeita para pôster, palestra e post em rede social. Soa como coragem. Com uma música de fundo, parece até princípio de vida. Não por acaso, costuma ser aplaudida justamente por quem não tem a menor intenção de examinar os próprios erros.

O problema é simples: persistir sem revisar não é disciplina. É insistência vestida de roupa chique, que impressiona na foto e não sai do lugar.

Muita gente passa anos empurrando uma porta, convencida de que falta força, sem perceber que está diante de uma parede. Nesse meio tempo, cria um vocabulário confortável. O fracasso repetido vira “processo”. O improviso vira “adaptação”. A falta de resultado vira “apenas uma fase difícil”. As palavras mudam, a realidade continua a mesma.

Reavaliar a estratégia não significa abandonar o objetivo. Significa fazer perguntas honestas. O caminho escolhido ainda faz sentido? Os recursos disponíveis mudaram? O que foi aprendido até aqui, além de produzir boas desculpas?

Há também uma verdade menos elegante. Algumas pessoas não desistem porque são corajosas, mas porque já investiram demais para admitir que escolheram mal. Tempo, dinheiro, reputação e orgulho pesam na balança. Os economistas chamam isso de falácia do custo irrecuperável: continuar gastando só porque já se gastou muito. Então preferem continuar afundando com convicção a voltar para a margem com humildade e tentar outro rumo.

Nada disso é elogio à desistência fácil. Abandonar tudo no primeiro obstáculo é outro erro, apenas mais rápido. A questão é diferente: persistência precisa de critério, prazo e medição de resultado. Quem insiste precisa saber no que insiste e por quê.

Nunca desistir é bonito. Saber a hora de mudar é inteligência. O resto é teimosia com cenário colorido ao fundo.