ABRAHAM SHAPIRO

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Pare de propagar desgraças

Da Redação

| Edição de 13 de abril de 2026 | Atualizado em 13 de abril de 2026

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Há um hábito silencioso que corrói negócios, envenena equipes e paralisa economias. Não é a crise em si. É a velocidade com que as pessoas a anunciam, amplificam e transformam em identidade coletiva.

Vivemos num tempo em que divulgar desgraças virou protagonismo. A má notícia circula mais rápido que a boa. E quem propaga tudo isso raramente percebe o estrago que está fazendo.

Há sempre alguém pronto a ser o primeiro a anunciar que o mercado está ruim, que o setor agoniza, que tudo vai acabar. Esse alguém se apresenta como realista. Mas o que faz, na prática, é alimentar paralisia — oferecendo às pessoas ao redor uma justificativa emocional para não agir, não tentar, não avançar.

Para os negócios, isso é veneno puro. Quando você decreta o fracasso em voz alta, todos ajustam suas ações (ou sua inação) de acordo. O ambiente inteiro responde à narrativa dominante. E se você for quem narra, você é quem dita o ritmo.

Mas há algo ainda mais destrutivo: a forma como você fala de si mesmo nos momentos de erro. Existe uma diferença crítica entre reconhecer uma falha e se definir por ela. Dizer “eu errei” mantém aberta a possibilidade de correção. Dizer “eu sou incapaz” transforma o erro em identidade. O primeiro é diagnóstico. O segundo é sentença.

A fala não é neutra. Ela constrói ou destrói caminhos.

Ajuste a sua prática agora. Reconheça limitações, mas pare de nomeá-las como destino. Em vez de propagar o que está errado, pergunte o que você pode fazer dentro do seu alcance.

Cada palavra que pronuncia é um voto: a favor da construção ou da ruína.

A terra não pergunta suas intenções. Ela produz o que você planta.