Regressei de Israel há poucos dias num período em que, por aqui, a agenda costuma desacelerar. Lá, porém, o trabalho segue em ritmo normal: não se celebra o Natal e a virada do ano, para a maioria, é apenas um detalhe do calendário cristão. Esse contraste abriu-me janelas de conversa com empresários israelenses e reforçou um traço constante: eles combinam objetividade dura com uma informalidade próxima.
Há razões culturais para isso. A primeira é a comunicação. Em Israel, franqueza ou assertividade não é grosseria; é eficiência. Fala-se direto, com pouca paciência para rodeios, e debate intenso é sinal de envolvimento, não de desrespeito. Questionar ideias, interromper para esclarecer e discordar sem cerimônia faz parte da etiqueta. O objetivo é encurtar o caminho entre problema e solução, não proteger aparências.
A segunda razão é a hierarquia. Em muitas empresas, sobretudo de tecnologia, o organograma pesa menos do que a competência. Gestores tendem a ser acessíveis, a relação é informal e a autoridade se sustenta por argumento e entrega, não por cargo. Nesse ambiente, ganha força a chutzpah, traduzindo: ousadia para desafiar propostas, inclusive de superiores. Isso acelera inovação, embora possa soar insolente em culturas formais.
O terceiro elemento é o pragmatismo do contexto. A história do país e as exigências de segurança reforçam a mentalidade de “resolver agora”: senso de urgência, tolerância a improviso e decisões com informação incompleta. Resultado: menos burocracia e mais testes, ajustes e correções rápidas.
Por fim, pesa a rede. Laços do exército, da universidade e das comunidades fortalecem confiança e colaboração. Somados à diversidade de uma sociedade de imigrantes, produzem um ethos empreendedor direto e orientado a soluções — áspero na forma, eficiente no conteúdo e caloroso quando a confiança se estabelece.