ABRAHAM SHAPIRO

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Quem fala demais...

Da Redação

| Edição de 11 de maio de 2026 | Atualizado em 11 de maio de 2026

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Muita gente entra numa reunião acreditando que participar é falar mais. Então despeja argumento, detalhe, explicação, justificativa… e acha que está impressionando. 

Não está. Na maioria das vezes, está apenas entregando o controle da situação.

Quem fala demais costuma revelar fraqueza sem perceber. Porque quanto mais você explica, mais espaço dá para o outro encontrar falhas, contradições ou pontos para atacar. 

Enquanto você tenta convencer, o outro apenas observa. E quem observa com calma geralmente enxerga mais do que quem está desesperado para provar alguma coisa.

Existe uma regra simples em qualquer ambiente de poder: quem pergunta conduz.

Pense num advogado em um tribunal, num jornalista em uma entrevista ou num bom gestor numa reunião. Eles não dominam a conversa porque falam sem parar. Dominam porque fazem perguntas inteligentes. A pergunta certa muda o rumo da conversa. Ela obriga o outro a pensar dentro do caminho que você definiu.

Quando você só responde, entra no jogo do outro. Vira alguém tentando se explicar. E quem vive se explicando raramente transmite autoridade.

Isso não significa ficar calado o tempo inteiro nem agir como personagem misterioso. Significa falar com intenção. Falar menos e pensar mais.

Em vez de despejar opiniões, faça perguntas objetivas: “Qual é exatamente o problema?”; “O que impede isso de funcionar?”; “Qual resultado queremos atingir?” Perceba a diferença. A conversa sai do emocional e vai para o raciocínio.

Controle não é volume de palavras. É direção.

Quem aprende a perguntar direito deixa de ser arrastado pela conversa e passa a segurar as rédeas dela.