Quase metade da população adulta está com o nome negativado em Apucarana. Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa referentes a março de 2026 mostram atualmente são 49.495 consumidores inadimplentes, contra 46.587 no mesmo mês do ano anterior, um aumento de 6,2%. Levando em conta a estimativa populacional de 2025 (134.910 habitantes), o montante significa que 36,6% apucaranenses estão com contas em atraso. Considerando apenas a população adulta economicamente ativa o percentual sobe para 49,2%.
Conforme o relatório, o valor total das dívidas na cidade saltou de R$ 308 milhões em março de 2025 para atuais R$ 409,1 milhões, um aumento de 32,8%. Com isso, o ticket médio por inadimplente no município, que era de R$ 6,6 mil, passou para R$ 8,2 mil neste ano. No total, os apucaranenses acumulam 236.783 dívidas ativas.
Segundo dados repassados pelo economista e secretário da Fazenda de Apucarana, Rogério Ribeiro, o nível de inadimplência somente da população adulta em Apucarana atinge 49,2%. “Fica um pouco abaixo da média nacional, mas continua elevado. Esses dados justificam a preocupação do governo federal com o nível de endividamento da população e a criação do Programa Desenrola Brasil. E temos que considerar que o valor médio dos débitos, embora elevado, não atinge 100% da renda mensal de um trabalhador, o que se demonstra como um cenário viável para regularização”, analisa.
Na opinião dele o ticket médio de aproximadamente R$ 8,2 mil ainda é considerado administrável frente à renda anual de um trabalhador. Entretanto, o endividamento se torna perigoso quando os gastos mensais superam os ganhos, criando um ciclo onde os juros e encargos podem dobrar o tamanho da dívida original.
“Ter débitos até que é natural, o que não é natural é se manter com compromissos mensais de desembolso superior às receitas. Se esse cenário persiste a pessoa precisa buscar auxílio de um mentor ou consultor para buscar sanear suas dívidas. Outra preocupação é que quanto maior o endividamento das famílias, menor é o acesso à crédito, no que se enquadra a utilização de cartões de crédito ou mesmo parcelamento normal no comércio. Com isso a demanda por bens e serviços diminui e a economia desacelera”, analisa.
O economista avalia que o problema é conjuntural e reflete um cenário nacional, exigindo dos consumidores uma combinação de disciplina e planejamento financeiro. “O ideal é que se poupe uma parte da renda mensal para despesas futuras ou para eventuais imprevistos. Sei que não é uma coisa fácil de fazer para muitas pessoas que não ganham muito. Mas sempre é importante ter esse esforço. Sem força de vontade de se manter adimplente ou de poupar as coisas não acontecem”, enfatiza.
Arapongas tem alta de 5,5% no índice de devedores
Arapongas registrou um aumento de 5,5% no número de devedores no mesmo período, saltando de 41.027 no ano passado para 43.286 em março de 2026. Considerando a população estimada de 124.838 habitantes, o número representa aproximadamente 34,7% da população araponguense.
Já o número de contratos atrasados subiu 14% em um ano, chegando a 203.680 dívidas. O montante financeiro total devido pelos moradores passou de R$ 274,3 milhões para R$ 357,6 milhões (alta de 30%). O ticket médio por inadimplente na cidade também subiu e hoje está em R$ 8.262,68.