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Apenas no papel

Da Redação

| Edição de 29 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Quase três meses depois de a presidente Dilma Rousseff (foto) anunciar uma reforma administrativa, as mudanças para enxugar a máquina pública federal praticamente não saíram do papel. Levantamento do jornal "O Globo", divulgado ontem, revela que, dos 3 mil cargos comissionados que deveriam ser cortados, apenas 346 deixaram de existir, equivalente a 11,5% do prometido pelo governo.

Imagem ilustrativa da imagem Apenas no papel

A promessa do governo era economizar R$ 200 milhões com a reforma, porém, no fim das contas, a economia chegou apenas a R$ 16 milhões, de acordo com o Ministério do Planejamento. Nas secretarias ligadas a ministérios, Dilma prometeu extinguir 31. Até agora somente sete foram cortadas.O Ministério do Planejamento admitiu ontem que a reforma está andando a passos lentos, mas não deu justificativas oficiais.

DILMA ADIA CAFÉ COM JORNALISTAS

Até o fim deste ano, a presidente Dilma Rousseff seguia com disciplina a tradição de tomar café da manhã com os jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, numa espécie de entrevista coletiva estendida -regada a pães, doces e salgados- que costumava acontecer todo mês de dezembro desde a época de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preocupada com o caráter de imobilismo que seu governo adquiriu durante a crise, porém, Dilma pediu que o café da manhã deste ano fosse cancelado e, segundo a reportagem apurou, considera receber os jornalistas na primeira semana de janeiro.

PF PROTESTA CONTRA CORTE NO ORÇAMENTO

Irritados com o corte de R$ 133 milhões no Orçamento de 2016, os delegados de Polícia Federal decidiram pressionar o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para que tome uma atitude em defesa da corporação vinculada à pasta. Em carta protocolada na segunda-feira (28), um grupo de 37 delegados da PF cobra de Cardozo “menos discursos e mais ações efetivas do Ministério da Justiça em defesa da Polícia Federal”. Eles querem a realização de “todos os atos institucionais necessários para impedir que a Polícia Federal seja alvo de um processo de sucateamento”.

DIRCEU TERÁ DE ESPERAR POR HABEAS CORPUS

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Francisco Falcão, adiou decisão liminar [provisória] sobre a soltura de José Dirceu (foto), que só deve ser analisada a partir de fevereiro. Falcão determinou que o Ministério Público Federal seja consultado sobre o pedido de habeas corpus do ex-ministro, preso em Curitiba por conta da Lava Jato, e que depois o caso seja remetido à Quinta Turma do STJ, responsável pelos processos da operação que investiga casos de corrupção na Petrobras. Com isso, Falcão empurra para só depois do recesso, que termina em fevereiro, a decisão sobre o habeas corpus de Dirceu, já que a Quinta Turma não está em funcionamento.

CONGRESSO FAZ DEBATE SOBRE PARLAMENTARISMO

Em meio à crise política, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiram retomar a discussão em torno da mudança do sistema de governo para o parlamentarismo. Renan encomendou estudo à consultoria legislativa sobre o tema e Cunha afirma que, se houver consenso, vai pautar proposta em 2016. A área técnica do Senado avaliou os sistemas na Alemanha, na Austrália, na Áustria, na Bélgica e no Canadá. A pessoas próximas, Renan justificou que tomou a medida em resposta a vários pedidos que recebeu para dar andamento a essa discussão na Casa.

DEPUTADOS GAÚCHOS APROVAM ‘PACOTE’

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na madrugada de ontem, em sessão extraordinária, um pacote de medidas em resposta à crise financeira no Estado. Após mais de 12 horas de sessão, os parlamentares aprovaram 27 projetos dos 31 integrantes da pauta de votações da convocação extraordinária feita pelo governador José Ivo Sartori (PMDB). O principal projeto aprovado é o da Lei de Responsabilidade Fiscal, que só permite o aumento de despesas se houver comprovação de receita. Na prática, a proposta dificulta reajustes ao funcionalismo.