Na próxima segunda-feira, 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Aquilo que aos olhos do mundo era instrumento de condenação e vergonha tornou-se, por Jesus Cristo, sinal de salvação e esperança. Por isso, os cristãos não exaltam a dor nem o sofrimento: exaltam o amor de Deus que, na Cruz, foi levado até as últimas consequências. Como anuncia o Evangelho: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único” (Jo 3,16).
Desde os primeiros séculos, a Cruz ocupa um lugar central na vida cristã. Fazemos sobre nós o sinal da cruz, encontramos o crucifixo em nossas igrejas e casas e iniciamos nossas orações em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mais do que um símbolo que carregamos, porém, a Cruz revela quem é o Deus em quem acreditamos: um Deus que não permanece distante do sofrimento humano, mas entra nele e o atravessa conosco.
Contemplar a Cruz de Cristo também nos ajuda a compreender as cruzes presentes em nossa própria história. Todos conhecemos momentos de sofrimento, perdas, enfermidades, conflitos, preocupações e situações que não conseguimos compreender plenamente. Jesus nunca prometeu aos seus discípulos uma vida sem dificuldades. Ao contrário, disse: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). A diferença é que, unidos a Cristo, já não carregamos nossas cruzes sozinhos.
A Cruz nos ensina ainda que o amor verdadeiro possui a forma do dom de si. No Calvário, Jesus entrega sua vida, perdoa, acolhe e permanece fiel até o fim. Por isso, exaltar a Santa Cruz significa também escolher uma maneira diferente de viver: responder ao ódio com o perdão, ao egoísmo com a generosidade, à indiferença com o cuidado e ao desânimo com a esperança. Cada vez que alguém se dispõe a carregar um pouco do peso do irmão, a força da Cruz volta a se manifestar no mundo. Mas a Cruz não pode ser separada da Ressurreição. O Crucificado é também o Ressuscitado. É justamente por isso que podemos olhar para a Cruz sem desespero: ela nos recorda que o sofrimento e a morte nunca terão a última palavra. Onde parecia existir somente derrota, Deus fez nascer a vitória; onde parecia haver apenas morte, fez brotar a vida. A esperança cristã nasce dessa certeza.
Nesta Festa da Exaltação da Santa Cruz, confiemos nossa Diocese, nossas famílias e especialmente aqueles que carregam cruzes mais pesadas à proteção de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira da Diocese de Apucarana. Maria permaneceu de pé junto à Cruz de seu Filho e não abandonou Jesus na hora da dor. Que ela permaneça também ao nosso lado, ensine-nos a abraçar a Cruz com fé e nos conduza sempre a Cristo, para que, mesmo em meio às dificuldades, jamais percamos a esperança da Ressurreição.