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Com alta de 82%, Apucarana é o 3º maior produtor de café do PR

Cindy Santos

| Edição de 09 de setembro de 2026 | Atualizado em 09 de setembro de 2026

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Apucarana subiu duas posições no ranking estadual e se tornou o terceiro maior produtor de café do Paraná. Dados divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostram que o Valor Bruto da Produção (VBP) da cafeicultura passou de R$ 49,5 milhões em 2024 para R$ 90,3 milhões no ano seguinte, um aumento de 82%. Ao todo, o município produziu 2,8 mil toneladas de café, um aumento de 60,4% em relação às 1,7 mil toneladas do ano anterior, ficando atrás apenas dos municípios de Carlópolis, que atingiu VBP de R$ 313,3 milhões, e Pinhalão (R$ 132,5 milhões).

Além do salto no VBP, o relatório da Seab aponta um crescimento de 18% na área plantada, que passou de 1,1 mil para 1,3 mil hectares. Com o resultado, o café se consolidou como o terceiro maior gerador de riquezas de Apucarana, superado apenas pelo frango de corte e pela soja. Para o presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap), Carlos Bovo, esse progresso comprova a eficiência do uso de novas cultivares e da adoção de práticas modernas entre os pequenos produtores.

“Para nós, cafeicultores, isso significa que estamos melhorando cada vez mais. Por meio do trabalho da Acap, em parceria com a prefeitura, o IDR-Paraná e o Sebrae, reforçado pela Indicação Geográfica Café Serra de Apucarana, os produtores estão vendo que o café vale a pena. O ganho é vantajoso e traz visibilidade ao nosso produto. E com essa notícia de que já somos o terceiro maior produtor do Paraná, agora ninguém segura os cafeicultores de Apucarana”, comemora Bovo.

Na opinião dele o município tem chances reais de superar essa marca nos próximos anos. “Se os cafeicultores se unirem, podemos chegar muito longe e alcançar o primeiro lugar do Paraná, que é o posto de onde Apucarana nunca deveria ter saído”, projeta.

A consultora de projetos do Sebrae Paraná no Vale do Ivaí, Thabata Alba, destaca que a IG Café Serra de Apucarana, conquistada em janeiro deste ano, abre uma nova perspectiva econômica para a região. “Quando fortalecemos uma origem, não estamos valorizando apenas um produto. Estamos valorizando o produtor, sua história, sua propriedade e todo um território. O crescimento do VBP é importante, mas queremos que esse crescimento venha acompanhado de produtividade, qualidade, rentabilidade e orgulho de produzir café em Apucarana”, salienta.

Para a consultora, o desafio atual é produzir com mais qualidade e agregar valor ao produto por meio do aprimoramento técnico, do fomento aos cafés especiais e do fortalecimento da IG.

Festa do Café no Pirapó celebra bom momento

Para celebrar o bom momento da cafeicultura, o Distrito de Pirapó sedia neste domingo (13) a 20ª edição da tradicional Festa do Café. Com o tema “Aniversário de Ouro dos Cafeicultores”, a festividade será realizada no salão da igreja do distrito, com almoço servido das 11h30 às 14h.

O evento é promovido pela Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap) e conta com o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo. O cardápio inclui o tradicional espeto de carne, acompanhado de arroz, creme de milho, mandioca, farofa e saladas. A organização reforça que o público deve levar pratos e talheres de casa. O convite custa R$ 100 e pode ser adquirido pelo telefone (43) 98864-9626.

ATIVIDADE PASSOU POR TRANSFORMAÇÃO

Segundo a consultora do Sebrae, Thabata Alba, os números mostram uma transformação na atividade nos últimos anos. Em 2020, o município possuía 1,5 mil hectares plantados com café e um VBP de R$ 22 milhões. Atualmente, são 1,3 mil hectares e um VBP de R$ 90,3 milhões. Mesmo com uma redução de aproximadamente 14% na área cultivada, o trabalho desenvolvido nos últimos anos tem buscado aumentar a eficiência das propriedades com aprimoramento do manejo agrícola, uso de tecnologia, qualificação dos produtores e melhoria da qualidade do café.

“Durante muitos anos, observamos áreas de café sendo substituídas por outras culturas. O movimento que estamos construindo agora é diferente. Queremos conservar e fortalecer a cafeicultura, tornando-a mais produtiva, competitiva e rentável. E, a partir desse fortalecimento, criar condições para que a cultura volte a crescer de maneira sustentável e planejada”, destaca.

Um dos indicadores dessa evolução está na produtividade, que aumentou 20% em dez anos, passando de 30 para 36 sacas por hectare. “Apucarana vive um processo de resgate e valorização da cafeicultura”, avalia.