BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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A vida é dom: cuidar, acolher e cultivar a esperança

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| Edição de 02 de setembro de 2026 | Atualizado em 02 de setembro de 2026

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Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo chama nossa atenção para o cuidado com a vida e para a prevenção do suicídio. Para nós, cristãos, essa reflexão encontra um fundamento ainda mais profundo: toda vida humana é preciosa porque é querida e amada por Deus. Desde o primeiro instante até o seu término natural, cada pessoa possui uma dignidade que não depende de suas capacidades, realizações ou circunstâncias. Como nos recorda Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Entretanto, sabemos que existem momentos em que o sofrimento pode se tornar difícil de suportar. Há pessoas que atravessam períodos de profunda tristeza, solidão, angústia e desesperança. Diante dessas situações, a resposta cristã nunca deve ser o julgamento. Quem sofre precisa encontrar em nós acolhimento, escuta, proximidade e cuidado. 

A fé não nos autoriza a minimizar a dor do outro; ao contrário, ensina-nos a nos aproximar dela, como fez Jesus tantas vezes diante daqueles que encontrou feridos pelo caminho. Valorizar a vida significa também criar uma cultura na qual ninguém tenha vergonha de pedir ajuda. O acompanhamento da família, dos amigos e da comunidade de fé pode caminhar juntamente com a busca por profissionais preparados quando necessário. 

Cuidar da saúde e procurar auxílio diante do sofrimento não contradizem a confiança em Deus. Também através da inteligência, da ciência, da medicina e das pessoas que coloca em nosso caminho, o Senhor manifesta seu cuidado por nós. A comunidade cristã é chamada, portanto, a ser um lugar onde a esperança possa ser reencontrada. Às vezes, um gesto simples pode fazer grande diferença: perceber quem se afastou, telefonar para quem está sozinho, escutar sem pressa, visitar quem sofre ou simplesmente permanecer ao lado de alguém em um momento difícil. São pequenas atitudes que dizem, mesmo sem palavras: “Sua vida importa. Você não está sozinho. Há esperança.”

A esperança cristã não significa acreditar que nunca enfrentaremos noites escuras. Significa confiar que nenhuma escuridão possui a palavra definitiva sobre nossa existência. Cristo entrou no sofrimento humano e, pela sua Ressurreição, mostrou-nos que a morte não possui a última palavra. Por isso, como Igreja, queremos ser uma comunidade que protege a vida, ampara os fragilizados e ajuda cada pessoa a redescobrir que sua existência continua sendo infinitamente valiosa aos olhos de Deus. Neste Setembro Amarelo, confiemos especialmente aqueles que atravessam momentos de sofrimento à proteção de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira de nossa Diocese de Apucarana. Maria, que em Lourdes se revelou tão próxima dos enfermos e dos que sofrem, cubra com seu manto aqueles que perderam a esperança, conforte as famílias que carregam suas próprias dores e nos ensine a perceber e acolher quem precisa de nossa presença. Que, por sua intercessão, nossas famílias e comunidades sejam cada vez mais lugares onde toda vida seja acolhida, protegida, cuidada e amada.