BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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Abster-se de palavras que ferem. Exercer a escuta que acolher!

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| Edição de 18 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 18 de fevereiro de 2026

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Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi seu clamor.” (Ex 3,7). 

É certo e cremos: Deus nos escuta, mesmo sem proferirmos palavras. Também é certo e cremos que Deus nos fala! Mesmo em silêncio, Seus sinais e Sua Voz se manifestam e Ele se comunica conosco! Sua Voz está nas Sagradas Escrituras, onde encontramos o modelo de vida, o caminho a ser seguido para permanecermos em Cristo e voltarmos ao Pai, de onde viemos! 

Entretanto, não nos basta ler as Escrituras. Precisamos, com o auxílio do Espírito Santo, ‘escutar’ as Palavras, ruminá-las em nosso pensamento e as acolher em nosso coração para colocar em prática os ensinamentos que Ela nos traz. A nós, pobres pecadores, o Pai deu o dom da escuta e da compreensão, a graça de podermos nos comunicar com Ele e uns com os outros. 

Nesta primeira Quaresma sob as exortações espirituais do Papa Leão XIV, somos convidados por ele a nos deixarmos alcançar, com docilidade de espírito, pela Palavra do Senhor, permitindo que Ela nos transforme e renove em nós a decisão de seguir somente a Cristo e com Ele percorrer o caminho até a Páscoa. 

A Quaresma deve ser para o cristão um período de introspecção, silêncio, jejum, penitência e oração que conduzam a um caminho de conversão e reencontro com Cristo Sofredor e Ressuscitado. Surgem sempre dúvidas e expectativas sobre como perseverar quarenta dias, sem esmorecer ou desanimar, para chegar à Semana Santa com o coração mais puro. 

Cuidemos para que o propósito assumido não seja praticado para ser visto, mas vivido com humildade, para nossa conversão e purificação, como forma de nos unirmos a Cristo em vista de seu Sacrifício Salvífico. O Papa, de forma simples, mas contundente, nos convida a adicionarmos às nossas escolhas penitenciais, o exercício da ‘escuta e do jejum das palavras’, ou seja, ele nos exorta a falarmos menos e escutarmos mais. Com a sabedoria que vem do Espírito Santo, o Sumo Pontífice nos recorda que devemos agir com misericórdia diante das necessidades do próximo que carece de atenção e não tem quem escute sua voz, seus problemas ou converse amigavelmente, sem interesses pessoais ou materiais. 

Ouvir é um sentido humano, uma capacidade física natural que não exige esforço, enquanto escutar com a devida atenção é um dom Divino, que demanda uma intenção consciente, concentração e entendimento. 

Para escutar é preciso calar-se. Um período quaresmal mais silencioso, um jejum onde as palavras ofensivas não encontrassem voz seria o ideal para fazer brotar palavras de perdão e afeto. Uma Quaresma voltada à escuta da Palavra de Deus para entendermos o nosso papel de cristãos comprometidos com a realidade em que vivemos. Quarenta dias onde, juntos, como filhos de Nossa Senhora de Lourdes, a Mulher e Mãe que viveu a primeira Quaresma, aprendamos a partilhar o diálogo e a compreensão, o perdão e a reconciliação em nossas comunidades, paróquias, famílias e conosco mesmos. 

Que possamos olhar para dentro de nós, com os olhos de quem busca a verdadeira conversão, escutar a nossa consciência e, jejuando de nossos próprios erros e pecados, possamos renascer com Cristo para a Páscoa da vida nova!