BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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O dom da vocação na vida da Igreja

Da Redação

| Edição de 29 de julho de 2026 | Atualizado em 29 de julho de 2026

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Com o início de agosto, a Igreja no Brasil volta seu olhar para uma das dimensões mais belas da vida cristã: a vocação. Conhecido como o Mês Vocacional, este tempo nos recorda que Deus continua chamando homens e mulheres para segui-Lo e colaborar na construção do seu Reino. Mais do que um período dedicado apenas à oração pelas vocações sacerdotais ou religiosas, agosto é uma oportunidade para redescobrirmos que toda a vida cristã nasce de um chamado. 

Desde as primeiras páginas da Sagrada Escritura, Deus se revela como Aquele que chama. Chamou Abraão para deixar sua terra e tornar-se pai de uma grande nação. Chamou Moisés para libertar o povo da escravidão. Chamou os profetas para anunciar sua Palavra. No Novo Testamento, Jesus continua esse movimento, convidando pescadores, cobradores de impostos, mulheres, jovens e idosos a caminharem com Ele. Antes de confiar uma missão, Cristo dirige sempre um convite pessoal: “Vem e segue-me” (Mt 19,21). 

Também hoje, o Senhor continua chamando. Sua voz talvez não ressoe em meio a fenômenos extraordinários, mas no silêncio da oração, na escuta da Palavra, na vida da comunidade e nos acontecimentos cotidianos. Descobrir a própria vocação é reconhecer que nossa existência não é fruto do acaso, mas parte de um projeto de amor pensado por Deus desde toda a eternidade. 

Por isso, o Mês Vocacional nos ajuda a ampliar nosso olhar. Toda vocação nasce no Batismo e se concretiza em diferentes estados de vida e formas de serviço. A Igreja celebra, ao longo deste mês, a vocação ao ministério ordenado, a vocação à vida em família, a vocação à vida consagrada e a vocação dos leigos e leigas que, nas mais diversas realidades, testemunham o Evangelho. Nenhuma dessas vocações é mais importante que outra. Todas são indispensáveis, porque todas manifestam a riqueza dos dons que o Espírito Santo distribui ao seu povo. Vivemos, porém, em uma sociedade marcada pelo imediatismo e pela dificuldade de assumir compromissos duradouros. 

Muitos jovens crescem cercados por inúmeras possibilidades, mas encontram dificuldade para responder à pergunta mais importante: “Para que Deus me criou?”. 

O discernimento vocacional exige tempo, silêncio, acompanhamento espiritual e coragem para confiar que a vontade de Deus nunca diminui nossa liberdade, mas a conduz à sua plena realização. A comunidade cristã possui um papel essencial nesse caminho. As vocações não florescem isoladamente. Elas amadurecem em famílias que rezam, em paróquias acolhedoras, em comunidades que testemunham a alegria do Evangelho e em pessoas que, pela própria vida, despertam nos outros o desejo de seguir Jesus. Uma Igreja que reza pelas vocações é também uma Igreja que cria ambientes favoráveis para que elas possam nascer, crescer e perseverar.

Ao iniciarmos este Mês Vocacional, renovemos nossa oração para que o Senhor continue enviando operários para sua messe (cf. Mt 9,38). Rezemos por nossos bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas; pelas famílias cristãs; pelos leigos e leigas comprometidos com a missão; e, de modo especial, pelos jovens, para que tenham a coragem de escutar a voz de Deus e responder com generosidade ao seu chamado. Que Nossa Senhora de Lourdes, padroeira de nossa Diocese de Apucarana, acompanhe todos aqueles que buscam discernir a vontade de Deus. Assim como respondeu com inteira disponibilidade ao chamado do Senhor, dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), ela nos ensine a viver nossa vocação com alegria, fidelidade e confiança, certos de que somente em Deus encontramos a verdadeira plenitude da vida.