Uma discussão tensa entre os senadores Ronaldo Caiado, do DEM-GO (foto), e Lindbergh Farias (PT-RJ) interrompeu ontem por alguns minutos a sessão da comissão do impeachment no Senado. Tudo começou depois que Caiado afirmou, no microfone, que o governo da presidente Dilma Rousseff estaria apagando arquivos para prejudicar a troca de gestão para o vice Michel Temer no caso de afastamento dela. "É mentira do senador", afirmou o petista. Os dois trocaram palavras fora do microfone e Caiado então desafiou Lindbergh para resolver a discussão "lá fora". "O senhor não está tratando com os funcionários de sua fazenda", retrucou Lindbergh.
Bispo em novo governo
Presidente nacional do PRB, o bispo licenciado da Igreja Universal Marcos Pereira é cotado para chefiar o Ministério da Ciência e Tecnologia em um eventual governo do vice-presidente Michel Temer. Ele se reuniu na segunda-feira à noite no Palácio do Jaburu. A pasta foi oferecida ao partido esta semana, após naufragarem as tentativas de uma negociação em cima da Agricultura e da Secretaria Especial de Portos. Sob Dilma Rousseff, o PRB comandou o Ministério do Esporte até as vésperas da aprovação do impeachment na Câmara. O titular da pasta nessa fase era o pastor George Hilton.
Presos transferidos
Quatro suspeitos presos nas últimas fases da Operação Lava Jato vão deixar a sede da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba, por ordem do juiz Sergio Moro. Despacho do juiz de segunda-feira (2) determina a transferência do publicitário João Santana, da mulher dele, Mônica Moura, do empresário Ronan Maria Pinto e do ex-senador Gim Argello (PTB-DF). Santana, Ronan e Argello irão para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde estão outros presos da Lava Jato. Mônica será transferida para um estabelecimento de custódia feminino. A mudança foi solicitada pela Polícia Federal.
Relator mantido
A Comissão Especial de Impeachment rejeitou questões de ordem apresentadas pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) que pediam a suspeição do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) e a suspensão do processo de impeachment porque as contas de 2015 da presidente Dilma Rousseff não foram analisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e pelo Congresso Nacional. O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), lembrou que a questão da suspeição já havia sido decidida em outra reunião, não cabendo mais discussão.
“Conjunto da obra”
O presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado, Fábio Medina Osório, afirmou na segunda-feira (2) que os senadores são soberanos no processo de impeachment e podem levar em consideração "o conjunto da obra" e a má gestão pública quando justificarem seus votos. Convidado por parlamentares da oposição para falar sobre aspectos técnicos e jurídicos do processo de impedimento, o especialista defendeu a tese de que não cabe ao Poder Judiciário rever o mérito das decisões do Legislativo e disse que o impeachment tem natureza não só jurídica, mas política também.