A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy (foto), continuará no cargo. Em entrevista após participar da Cúpula do G20, na Turquia, Dilma disse que, apesar de ter enorme respeito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discorda das críticas dele ao ministro.
"Ele [Levy] é um grande servidor público, que tem compromisso com a estabilidade do país. Acho nocivas as especulações [sobre a saída do ministro do cargo], pois me obrigam a vir a público dizer que ele fica onde está." A presidente defendeu também a aprovação da nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) pelo Congresso Nacional. " É fundamental que se aprove", afirmou.
YOUSSEF PRESTARÁ NOVO DEPOIMENTO
Em meio a uma divergência entre Polícia Federal e Procuradoria Geral da República, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Luís Felipe Salomão determinou que um juiz auxiliar tome um novo depoimento do doleiro Alberto Youssef no inquérito que investiga o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e seu sucessor, o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A Polícia Federal havia pedido em setembro o arquivamento, concluindo que não foram encontradas provas do envolvimento no esquema de corrupção. A Procuradoria Geral da República, porém, pediu ao STJ que mantivesse o inquérito por serem necessários "esclarecimentos complementares"
CONSELHO ANALISA PARECER CONTRA CUNHA
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deve avaliar amanhã o parecer preliminar do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) sobre a cassação do mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deve ser pela admissibilidade do caso. A Pinato coube, nesse primeiro momento, analisar a razoabilidade do pedido de cassação do peemedebista. Em um acordo costurado veladamente com o presidente da comissão julgadora de ilícitos, José Carlos Araújo (PSD-BA), o deputado já havia decidido dar prosseguimento ao caso.
‘PAÍS SUPEROU TRUCULÊNCIA’, DIZ MINISTRO
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (foto), avaliou ontem que os protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, realizados no domingo (15), foram "menos expressivos" que os anteriores, o que, segundo ele, demonstra que o país superou uma etapa política "truculenta" de sua história.
A manifestação organizada em Brasília, em frente ao Congresso Nacional, reuniu no feriado da Proclamação da República 2 mil pessoas, segundo a Polícia Federal. Os organizadores do protesto estimaram um público maior, de 3 mil pessoas. Os manifestantes carregaram bandeiras do Brasil, além de faixas e cartazes contrários ao governo federal.
DELATOR INCRIMINA SENADOR PETISTA
O lobista Fernando Soares, o Baiano, afirmou ter pago entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) por meio de um suposto "amigo de infância" do parlamentar, identificado apenas Godinho. O depoimento foi prestado como parte do acordo de delação premiada fechado com a Operação Lava Jato. Segundo Baiano, Godinho lhe foi apresentado pelo então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que orientou retirar o dinheiro destinado ao senador de parte da propina acertada em torno da compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena (EUA).
TEMER COBRA MOBILIZAÇÃO DE MINISTROS
Para evitar uma nova derrota no Congresso Nacional, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) cobrou ontem dos ministros de partidos da base aliada que se mobilizem e atuem junto às bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado para evitar um novo esvaziamento na sessão conjunta para análise dos vetos presidenciais. Em um acordo firmado em outubro com a presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve convocar hoje sessão conjunta no Congresso para a apreciação das medidas, que se derrubadas podem ter um impacto de R$ 63,2 bilhões para os cofres públicos até 2019.