Aconselhada por seu núcleo político mais próximo, a presidente Dilma Rousseff decidiu que o governo não deve atacar nem isolar completamente o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso nesta quarta-feira (25) na Operação Lava Jato por tentar obstruir as investigações. O governo teme que Delcídio use, nas palavras de um ministro, "até mesmo de mentiras" para atacar diretamente o Palácio do Planalto e, por isso, a ordem é ter cautela. Ao tomar conhecimento da prisão, a presidente demonstrou preocupação com o efeito que isso teria sobre votações importantes no Congresso e sobre sua imagem e a de seu governo. Delcídio era um dos principais articuladores do governo no Legislativo.
DIAS TOFFOLI É ALVO DE PROTESTO
O ministro do Supremo Tribunal Federal, José Dias Toffoli, é o mais novo alvo dos manifestantes adeptos de bonecos gigantescos e infláveis. O brinquedo foi inflado ontem na Esplanada dos Ministérios por integrantes do Movimento Nas Ruas. O magistrado é criticado por suas ligações com o Partido dos Trabalhadores e por não ter sido aprovado em concurso para juiz. O grupo quer seu afastamento do Supremo Tribunal Federal. Os manifestantes também fazem pressão para que os votos dos eleitores sejam impressos. É bom lembrar que Dias Toffoli é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
INTERPOL INCLUI ADVOGADO EM LISTA
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki autorizou a inclusão no alerta vermelho da Interpol do nome do advogado Edson Ribeiro, que trabalhava com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e que, segundo a acusação, negociou venda do acordo de delação premiada dele com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Ribeiro, que viajou para os Estados Unidos, teve a prisão decretada pelo STF aonteontem junto com a do senador, do banqueiro Andre Esteves e de um servidor do Senado acusados de atrapalhar as investigações de corrupção na estatal.
AÉCIO CRITICA SILÊNCIO DE DILMA
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou como um "acinte à inteligência dos brasileiros" o silêncio do Palácio do Planalto e da presidente Dilma Rousseff (PT) sobre a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MT). tucano falou sobre o assunto ontem, logo após reunião da executiva nacional de seu partido. "Num momento dessa gravidade, com denúncias dessa dimensão é incompreensível que a presidente não olhe nos olhos dos brasileiros para explicar sua responsabilidade nesses episódios", criticou o senador.
PT SUBSTITUI DELCÍDIO NA PRÓXIMA SEMANA
Preocupada com o andamento de votações no Congresso, como a que estava marcada para esta quarta sobre a alteração da meta fiscal, Dilma Rousseff escalou Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) para iniciar as negociações que resultariam na substituição de Delcídio do Amaral na liderança do governo no Senado. No fim da tarde, porém, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota para informar que o novo líder do governo na Casa será escolhido somente na próxima semana.
ABI CONTESTA LEI DE DIREITO DE RESPOSTA
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entrou com um pedido para que o STF (Supremo Tribunal Federal) declare inconstitucional a nova Lei de Direito de Resposta, regramento recém-sancionado que estabelece um rito especial na Justiça para contestar publicações dos órgãos de imprensa. A entidade solicita ainda que o Supremo conceda uma liminar suspendendo os efeitos da norma. A ação será analisada pelo ministro Dias Toffoli. A ABI argumenta que a nova lei atenta contra a liberdade de imprensa e de expressão, atacando ainda o princípio da ampla defesa.