COLUNAS

min de leitura - #

Setembro Amarelo – De novo? O que mudou?

Da Redação

| Edição de 15 de setembro de 2022 | Atualizado em 15 de setembro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Não caro e cara leitora, não sou contrário ao mês de setembro e a campanha de prevenção ao suicídio, mas como falei no ano passado e no anterior, setembro é muito curto para um tema tão sério. 

Neste ano, o lema é “A VIDA É A MELHOR ESCOLHA!”. Desde o ano de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), realiza em âmbito nacional essa campanha. Neste mês, o que se busca é falar não sobre o suicídio, mas a saúde mental – que quando debilitada, pode levar ao ato extremo. 

Falar sobre o suicídio pode ser um tabu e, claro que devido ao fator “encorajador”, tendemos a evitar falar sobre ele, mas por não falarmos, silenciosamente ignoramos que ele não só existe como tem aumentado drasticamente. A cada quarenta e cinco minutos uma vida é auto encerrada no Brasil, ou seja, em média temos 32 suicídios por dia, 960 por mês e 11.520 por ano. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em setembro de 2021 – último que tratou especificadamente do tema, ao menos em nossas pesquisas – a região Sul e Centro-Oeste superavam a média nacional. Na região Sul, em 2019 a taxa 10,41 a cada 100 mil habitantes, era quase o dobro da terceira colocada, a região Norte com 6,28. Outro dado significativo, a esmagadora maioria de 10,72 (a cada 100 mil) homens contra 2,85 de mulheres. Entre as faixas etárias, todas tiveram alteração, mas entre jovens, inclusive menores de 14 anos, o crescimento foi não absurdo como estarrecedor, com números de 113% em relação a anos anteriores. 

Eu sei que é assustador os dados apresentados, mas isso acontece em partes pelo medo de abordarmos o tema. A depressão não é – nem nunca foi - falta de Deus ou uma infelicidade momentânea. É uma doença que precisa ser tratada. Quando um diabético apresenta os sintomas de sua doença, não se manda que ele simplesmente pare de sentir aquilo. Por que com as doenças psiquiátricas isso seria diferente? Ninguém acorda e escolhe ter depressão. Não é bonito, não graça, não é para chamar atenção, mas às vezes vem acompanhado de um pedido de ajuda que não conseguimos compreender. 

Muitas vezes a depressão surge de uma desregulação bioquímica cerebral, com alterações nos neurotransmissores, como a serotonina – “o hormônio da felicidade” -, a dopamina – “reguladora das emoções” – e noradrenalina – “ligada ao aumento da glicemia e sua ação vasodilatadora”. Essas “coisinhas”, quando desreguladas, podem gerar ansiedade, tristeza profunda e contínua, alterações bruscas de humor, além de taquicardias e uma sensação corporal de “quase morte”. Agora imagine sentir tudo isso e ouvir que é apenas frescura? Ou uma fase? Nossa posição ante esses sinais pode salvar vidas, oferecendo, muitas vezes, apenas uma mão quando aceita ou apenas o espaço necessário sem o “olhar” de julgamento. Uma pessoa neurotípica – aquilo que erroneamente chamamos de “normais” – jamais poderá compreender o que se passa em uma mente inquieta que muitas vezes busca o silêncio, ainda que não consiga calar as “vozes” em sua cabeça. Não é sobre ser desatento, mas sobre perceber demais tudo ao seu redor. 

Caro leitor e cara leitora, creio em Deus e em seu poder, mas acredito também que Ele capacita e nos usa como ferramentas de Suas ações. Todos, eu e você somos capazes de salvar vidas, uns profissionalmente, outros apenas mostrando que ninguém está sozinho e que buscar ajuda é sempre o melhor caminho, afinal, A VIDA É A MELHOR ESCOLHA. Sempre há um bom motivo para continuar, uma nova luta para se enfrentar, um obstáculo a se superar. Nenhuma dor é maior ou menor, pois só aquele que a sente pode descrevê-la. 

E não, eu não gosto do Setembro Amarelo, pelo simples fato de se tornar uma propaganda de empresas, colégios, indústrias e meios de comunicação, que durante todo o ano nos levam a exaustão e ao limite de nossas emoções, mas nesse mês usam um lacinho que “salva” vidas. Todos os dias, todas as pessoas, em todos os locais, não em um mês. Abrace alguém hoje, olhe nos olhos e se mostre atento. Os sinais nem sempre são tão claros, mas posso garantir que todos nós estamos suscetíveis a sentir dor. Ame sem medo, demonstre sem medo – ninguém deve saber que é amado, precisa ser lembrado. Apoie, ajude e não julgue. E você que hoje está nesta situação, lembre que pequenas metas cumpridas podem ajudar a dar sentido ao seu dia, o amanhã ainda não existe, VIVA o hoje. Passado já foi, não pode mais machucá-lo, o futuro é resultado das ações do que fortuitamente chamamos de PRESENTE – acredite em mim, sei que é difícil, mas é impossível viver fora do momento, por isso vença-o, um passo de cada vez.