TIAGO CUNHA

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A inovação começa quando questionamos o óbvio

Da Redação

| Edição de 03 de agosto de 2026 | Atualizado em 03 de agosto de 2026

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Neste final de semana comecei a leitura de Previsivelmente Irracional, de Dan Ariely. Ao longo das próximas quatro semanas, quero compartilhar alguns dos principais insights da obra, sempre fazendo uma conexão com a temática da inovação. A proposta não é resumir o livro, mas refletir sobre como suas ideias podem ajudar empresas, gestores, empreendedores e organizações a tomar decisões melhores em um cenário de constantes mudanças.

Logo nas primeiras páginas, uma percepção já ganhou minha atenção: toda inovação começa com uma pergunta. Não com uma tecnologia, um investimento ou uma ideia brilhante. Antes de qualquer solução surgir, alguém precisou questionar algo que todos consideravam normal.

A trajetória de Dan Ariely ilustra isso de forma marcante. Após sofrer um grave acidente, ele passou anos em tratamento hospitalar. Nesse período, começou a observar não apenas a própria recuperação, mas também os procedimentos adotados pelos profissionais de saúde. Eles seguiam práticas consolidadas pela experiência, mas quase ninguém havia investigado, de forma científica, se aquelas rotinas realmente produziam o melhor resultado para os pacientes. Foi dessa inquietação que nasceu uma pesquisa que, anos depois, daria origem a uma das obras mais influentes da economia comportamental.

Ao ler essa introdução, pensei imediatamente no ambiente da inovação. Quantas vezes, dentro das empresas, repetimos processos simplesmente porque sempre foram feitos dessa maneira? Quantas decisões são tomadas com base em hábitos, percepções ou experiências passadas, sem que alguém pare para perguntar se ainda fazem sentido?

É comum associarmos inovação apenas à tecnologia. No entanto, a verdadeira transformação costuma começar muito antes. Ela nasce quando alguém observa um problema sob uma perspectiva diferente, identifica um padrão que passava despercebido e decide testar uma alternativa. Essa lógica vale para uma startup, para uma indústria, para um pequeno negócio ou para a gestão pública.

Outro aspecto interessante é a importância da curiosidade. Ariely não aceitou a primeira explicação disponível. Preferiu investigar, formular hipóteses e buscar evidências. Esse comportamento também diferencia organizações inovadoras. Em vez de defender certezas, elas cultivam perguntas. Em vez de proteger modelos antigos, criam espaço para experimentar, aprender e evoluir.

Talvez essa seja a primeira grande lição do livro, inovar não significa ter todas as respostas. Significa desenvolver a capacidade de questionar aquilo que parece óbvio. Muitas vezes, é justamente nesse exercício que surgem as melhores oportunidades de transformação. Este é apenas o primeiro insight de uma jornada que pretendo compartilhar nas próximas semanas. Afinal, compreender como decidimos é um passo importante para construir organizações mais inovadoras, mais conscientes e preparadas para os desafios do futuro.