TIAGO CUNHA

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Será que sabemos conhecer a inovação?

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| Edição de 21 de setembro de 2026 | Atualizado em 21 de setembro de 2026

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Hoje quero começar nossa coluna de um jeito diferente, fazendo uma reflexão juntamente com você, meu caro leitor. Como você definiria a inovação? Todas as vezes que faço essa pergunta, seja em sala de aula, em palestras ou nas consultorias junto aos empresários, percebo que a inovação ainda parece um mistério. Temos dificuldade em percebê-la como algo presente em nosso dia a dia.

Talvez isso aconteça porque construímos uma compreensão de inovação fortemente associada à tecnologia. Quando ouvimos essa palavra, logo pensamos em inteligência artificial, novos aplicativos ou medicamentos capazes de tratar doenças antes sem tratamento. Sem dúvida, são importantes expressões da inovação, mas não representam toda a sua dimensão. Recentemente, li o artigo “Inovação em transformação”, de Guilherme Ary Plonski, professor da Universidade de São Paulo. Apesar de publicado em 2017, o texto provoca reflexões muito atuais. Plonski apresenta uma definição simples, mas carregada de significados: “inovação é a criação de novas realidades”. E aqui quero convidar você para nossa primeira reflexão. Se inovar é criar novas realidades, estamos falando tanto de fazer existir algo que antes não existia quanto de dar novo sentido, forma ou utilidade àquilo que já existe. Pense em quantas vezes, diante de um problema cotidiano, você encontrou uma maneira diferente de fazer algo, adaptou uma solução ou reorganizou uma tarefa. Talvez não tenha chamado isso de inovação. Quando olhamos por essa perspectiva, surge outra pergunta: toda inovação precisa nascer de uma nova tecnologia? A tecnologia ampliou extraordinariamente nossa capacidade de transformar o mundo, mas não é a única maneira de inovar. Novas realidades também surgem quando mudamos a forma de organizar um serviço, ensinar, produzir, trabalhar ou enfrentar um problema da comunidade. E uma transformação precisa ser grandiosa para ser considerada inovação? Plonski nos lembra das inovações incrementais: melhorias e transformações graduais que recebem menos atenção que as grandes rupturas. Quantas pequenas mudanças, realizadas continuamente, não são capazes de transformar uma empresa, uma escola ou uma comunidade? Talvez estejamos tão atentos às grandes revoluções que deixamos de perceber a força das pequenas evoluções. Essa compreensão também amplia quem pode participar da inovação. Empresários, professores, estudantes, servidores públicos, agricultores, comerciantes e comunidades podem observar problemas, identificar oportunidades e construir novas respostas. Democratizar a inovação passa por permitir que mais pessoas se reconheçam como capazes de participar da construção de novas realidades. Mas essa possibilidade também amplia nossa responsabilidade. Se inovar é transformar, precisamos perguntar: que realidade estamos criando, para quem e com quais consequências? Nem tudo que é novo é necessariamente melhor. Inovar também exige compreender o valor e os impactos daquilo que estamos ajudando a construir. Por isso, volto à pergunta inicial: como você definiria inovação? Talvez agora ela pareça menos distante. Se inovar é criar novas realidades, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “como podemos inovar?”, mas “que realidade queremos transformar?”. É quando fazemos essa pergunta que a inovação deixa de ser um mistério reservado a poucos e se aproxima das pessoas, dos seus problemas e da nossa capacidade, individual e coletiva, de construir novas realidades.