COTIDIANO

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​ A lição de Sócrates

Por Thiago Zardo, poeta e escritor de Apucarana

| Edição de 21 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Diz a lenda que certa vez um rapaz procurou o filósofo Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. Sócrates então o perguntou: “O que você irá me contar já passou pelas três peneiras?” E o rapaz respondeu com uma indagação: “Três peneiras?”. Então disse Sócrates ao rapaz: “Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta? Então se o que você queria me contar passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos”.

Provavelmente essa é uma das mais belas e importantes histórias que já ouvi. Uma verdadeira lição moral que deveríamos usar no dia a dia cada vez mais e mais e pra tudo. O mundo seria grato. Mas será que poderíamos usar as três peneiras em um contexto politico eleitoral? Penso que sim. E acho que o resultado seria extraordinário! Imagina se antes de escolher um candidato o cidadão usasse as três peneiras de Sócrates? Por exemplo, será que o que candidato está falando é realmente verdade? Caso tenhamos alguma dúvida, significa que ele não passou na primeira peneira, a da verdade. Mas suponhamos que ele passe pela primeira peneira, ele deve então passar pela segunda peneira, a da bondade; será que aquela verdade será realmente boa para o país? Ajudará de fato a melhorar o Brasil? Se for, ainda será necessário passar pela terceira peneira, a da necessidade, ou seja, será que é realmente necessário eleger um candidato que pensa “assim ou assado” só porque imaginamos que seja honesto? Será que convém mesmo ter um representante assim por quatro anos ou mais no poder?
Em ano de eleição também vale lembrar aquela frase que provavelmente é a mais verdadeira e emblemática em se tratando do universo político: “cada país tem o governo que merece”, de J. M. Maistre.
E para finalizar, gostaria de recordar uma outra máxima política, quiçá tão importante quanto a citada acima: “um povo que elege corruptos não é vitima, é cúmplice”.
Alea jacta est! Ou se preferirem, a sorte está lançada! Então que os deuses do Olimpo iluminem a mente de todos os eleitores para que usem a bela lição de Sócrates antes de escolherem seus candidatos. Que as três peneiras sejam lembradas no momento da votação. Antes que mais uma vez a urna se torne apenas um depósito de apostas desleixadas, irresponsáveis e inconsequentes, cheia de interesses pessoais e com consequências catastróficas. Ou seja, antes que mais uma vez a urna depois de aberta se revele uma amaldiçoada caixa de Pandora