Independentemente do resultado das eleições, o Brasil sai das urnas hoje à noite dividido. A onda direitista que invadiu o país no primeiro turno veio para ficar. Por outro lado, o campo progressista, mesmo liderado por uma esquerda fragmentada e fragilizada por governos falhos, mostrou nos últimos dias, principalmente na reta final da campanha, que ainda tem poder de mobilização popular.
O próximo presidente da República precisará unificar o país. Seja Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT), o novo titular do Palácio do Planalto terá que moderar o seu discurso. Caso contrário, não terá a mínima condição de governabilidade.
As eleições de 2018 foram as mais polarizadas dos últimos anos. No entanto, o excesso de fake news (notícias mentirosas) propagadas pelas redes sociais desvirtuou o processo democrático. Eleitores foram bombardeados diariamente por informações mentirosas, forjadas para manipular a opinião pública e interferir no resultado das urnas. Esse disparo de fake news sistematizado tanto por PSL e PT ampliou a polarização e serviu como combustível para disseminar o clima de rivalidade e o próprio ódio na campanha. O reflexo foram as trocas constantes de agressões físicas entre militantes flagradas em várias regiões do país. Esse clima de animosidade não foi gratuito. Longe disso.
Durante esse percurso eleitoral, as propostas acabaram ficando em segundo plano. A eleição de 2018 cegou muitas pessoas e, infelizmente, dividiu famílias, amigos e colegas de trabalho. Não foram simples discussões políticas ou ideológicas, comuns em um sistema democrático. Sentimentos foram feridos, amizades rompidas.
O Brasil, sem dúvida, precisa mudar. Isso é consenso e ponto pacífico. Erros cometidos no passado não podem mais ser tolerados. É preciso acabar com a corrupção que sangrou o país. Por outro lado, a democracia não pode ser desrespeitada de forma alguma. O eleitor derrotado hoje tem os mesmos direitos daquele que irá comemorar a vitória do seu candidato. O próximo presidente deve governar para todos e tentar pacificar o país, mesmo que essa tarefa pareça ser inglória e que os discursos adotados na campanha sinalizem de forma diferente.
O Brasil precisa voltar a crescer e gerar empregos. A estagnação econômica é o principal desafio a ser combatido. O país necessita de algumas reformas importantes que ficaram para trás. Para isso, no entanto, as feridas dessa campanha eleitoral violenta, triste em alguns aspectos, precisam rapidamente cicatrizar.