O dólar encerrou a segunda-feira praticamente estável, enquanto a bolsa brasileira registrou queda, em um dia marcado pela cautela dos investidores frente ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A moeda americana conseguiu se manter abaixo de R$ 4,90, mas o Ibovespa foi pressionado pela alta do petróleo e pelas crescentes preocupações com inflação e juros.
O índice Ibovespa, da B3, recuou 1,19%, fechando aos 181.908 pontos, o menor nível desde 27 de março. A queda foi puxada principalmente por ações sensíveis aos juros, em meio ao receio de que a alta do petróleo possa dificultar cortes na taxa Selic.
O mercado também acompanhou a temporada de balanços corporativos, mas nem mesmo resultados considerados robustos evitaram perdas em ações de grandes empresas. Investidores continuam atentos à saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira nos primeiros pregões de maio.
A deterioração das perspectivas inflacionárias reduziu o otimismo com o mercado acionário local. A continuidade da guerra no Oriente Médio e a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos também contribuíram para o movimento de aversão ao risco.
Câmbio cauteloso
O dólar à vista fechou cotado a R$ 4,891, com uma leve baixa de 0,10%, marcando o menor valor desde 15 de janeiro de 2024. Apesar da estabilidade no mercado doméstico, a moeda americana sustentou ganhos frente a outras divisas emergentes no exterior, após os Estados Unidos rejeitarem a proposta iraniana para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Durante a sessão, o câmbio oscilou em uma faixa estreita. A moeda atingiu a máxima de R$ 4,9059 pela manhã e a mínima de R$ 4,8858 antes de retornar à estabilidade. O dólar futuro para junho também fechou praticamente estável na B3.
A reação moderada do mercado brasileiro foi atribuída ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que continua favorecendo a entrada de capital estrangeiro. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, mostrou uma redução na projeção para o dólar no fim do ano, de R$ 5,25 para R$ 5,20.
Analistas também destacaram a baixa liquidez do pregão e a ausência de apostas mais fortes em meio à incerteza geopolítica. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade.
Petróleo sobe
Com o impasse diplomático, o petróleo voltou a subir no mercado internacional. O barril do Brent, referência para a Petrobras, avançou 2,88% e fechou cotado a US$ 104,21. O WTI, do Texas, subiu 2,78%, para US$ 98,07.
A valorização do petróleo reforçou a percepção de pressão inflacionária global e ampliou as dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros em diversos países, incluindo o Brasil.
Guerra no radar
As tensões internacionais voltaram ao centro das atenções após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar como “totalmente inaceitável” a proposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito.
Trump afirmou ainda que o cessar-fogo está “respirando por aparelhos”, enquanto autoridades iranianas disseram que o país está preparado para responder a novos ataques.
O cenário aumentou as preocupações com inflação global e possíveis impactos sobre a economia mundial.
* com informações da Reuters
?
Com informações da Agência Brasil