ECONOMIA

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Contas externas têm saldo negativo menor em janeiro de 2026

(via Agência Brasil)

| Edição de 24 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 24 de fevereiro de 2026

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As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 8,360 bilhões em janeiro, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (24). No mesmo mês de 2025, o déficit nas transações correntes, que incluem as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países, foi de US$ 9,809 bilhões.

A melhora na comparação interanual deve-se ao aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit comercial. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, essa alta é atribuída à redução das importações, uma queda "bastante generalizada" em todos os setores, refletindo a desaceleração da atividade econômica no país.

Contribuindo para a melhora do saldo, houve uma redução de US$ 581 milhões no déficit da venda de serviços. Em contrapartida, foi registrado um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que inclui o pagamento de juros, lucros e dividendos de empresas.

Déficit em Transações Correntes

Nos 12 meses encerrados em janeiro, o déficit em transações correntes somou US$ 67,551 bilhões, correspondendo a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador da soma dos bens e serviços produzidos no país. Em comparação com o período equivalente terminado em janeiro de 2025, houve uma redução no déficit; naquele mês, o resultado em 12 meses foi negativo em US$ 72,421 bilhões, ou 3,35% do PIB.

Investimentos Diretos

Fernando Rocha destacou que as transações correntes apresentam um cenário robusto e uma tendência de redução no déficit em 12 meses desde setembro de 2025. Ele afirmou que o déficit externo está sendo financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que possuem fluxos e estoques de boa qualidade.

O IDP somou US$ 8,168 bilhões em janeiro deste ano, em comparação com US$ 6,708 bilhões no mesmo mês de 2025. Quando o país apresenta saldo negativo em transações correntes, é necessário cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, pois os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser de longo prazo.

Em 12 meses até janeiro, esses investimentos diretos acumularam US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB), em comparação com US$ 77,676 bilhões (3,41% do PIB) no mês anterior e US$ 72,798 bilhões (3,37% do PIB) no período encerrado em janeiro de 2025.

Rocha afirmou que esses resultados em 12 meses demonstram a solidez da economia brasileira, totalmente financiada pelo IDP.

No caso dos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve uma entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em janeiro, a maior desde julho de 2018. Nos 12 meses encerrados em janeiro, esses investimentos somaram ingressos líquidos de US$ 24,9 bilhões.

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 364,367 bilhões em janeiro, um aumento de US$ 6,134 bilhões em comparação ao mês anterior.

Transações Correntes

Em janeiro deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 25,282 bilhões, uma redução de 1,2% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, chegaram a US$ 21,766 bilhões, com uma queda de 10% na comparação com janeiro do ano passado.

Com os resultados de exportações e importações, a balança comercial fechou com um superávit de US$ 3,516 bilhões no mês passado, em comparação com o saldo positivo de US$ 1,396 bilhões em janeiro de 2025.

O déficit na conta de serviços – que inclui viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e de propriedade intelectual, entre outros – atingiu US$ 3,972 bilhões no mês passado, uma redução de 12,8% em relação aos US$ 4,553 bilhões no mesmo período de 2025.

No caso das viagens internacionais, o déficit na conta fechou em US$ 1,453 bilhão, 48,4% acima do registrado em janeiro de 2025. Isso se deve à redução de 9,3% (total de US$ 731 milhões) nas receitas – que são os gastos de estrangeiros em viagem ao Brasil – e ao aumento de 22,4% nas despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 2,184 bilhões.

Em janeiro de 2026, o déficit em renda primária – que inclui lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários – chegou a US$ 8,312 bilhões, 18,7% acima do registrado em janeiro do ano passado, de US$ 7,001 bilhões. Normalmente, essa conta é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil – e eles remetem os lucros para fora do país – do que de brasileiros no exterior.

A conta de renda secundária – que envolve transferências como doações e remessas de dólares sem contrapartida de serviços ou bens – teve um resultado positivo de US$ 408 milhões no mês passado, contra um superávit de US$ 349 milhões em janeiro de 2025.



Com informações da Agência Brasil