Em um cenário de crescente tensão global, o dólar teve uma alta expressiva de quase 2%, impulsionado pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio. A bolsa de valores também refletiu o pessimismo, registrando uma queda superior a 3%, a maior do ano, em meio à busca por ativos mais seguros.
O dólar comercial fechou a terça-feira (3) cotado a R$ 5,261, com um aumento de R$ 0,099 (+1,87%). Durante o dia, a moeda chegou a atingir R$ 5,34, mas desacelerou no período da tarde.
A moeda americana alcançou seu maior valor desde 26 de janeiro, quando estava em R$ 5,28. O Banco Central (BC) chegou a anunciar dois leilões de linha, cada um de US$ 2 bilhões, mas cancelou a operação minutos depois, alegando que a divulgação foi um erro durante um teste interno.
Mercado de Ações em Queda
A instabilidade também dominou o mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, encerrou o dia com uma queda de 3,27%, atingindo 183.104 pontos. No ponto mais baixo do dia, chegou a 180.518 pontos, uma queda de 4,64%.
Praticamente todas as ações do índice registraram queda. A bolsa brasileira, que havia fechado acima dos 191 mil pontos no dia 24, atingiu seu menor nível desde 6 de fevereiro, quando estava em 182 mil pontos.
Impacto Global
O movimento foi impulsionado pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com repercussões no Líbano e em países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Kuwait.
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Catar também suspendeu a produção de gás natural liquefeito, aumentando o temor de desabastecimento global de energia.
Com o risco de interrupção na oferta, os preços do petróleo e do gás natural dispararam. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu mais de 4%, atingindo US$ 81. No início do dia, chegou a valorizar 10%, mas desacelerou posteriormente. Na Europa, o gás natural teve um aumento de 22% no dia. A alta das commodities energéticas intensifica as preocupações com a inflação global e a desaceleração econômica.
O pessimismo foi generalizado nos mercados globais. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, investidores venderam ações e buscaram ativos mais seguros, como o dólar.
- Ásia: Tóquio (-3,1%) e Seul (-7,24%);
- Europa: quedas superiores a 3%;
- Estados Unidos: Dow Jones (-0,83%), S&P 500 (-0,9%) e Nasdaq Composite (-1,02%).
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a outras moedas de economias avançadas, subiu 0,66%.
Desempenho do PIB Brasileiro
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025. Apesar do crescimento anual, a economia perdeu força no final do ano, com um aumento de apenas 0,1% no quarto trimestre.
A economia brasileira desacelerou em relação a 2024, quando cresceu 3,4%. O resultado ficou em linha com as expectativas do governo, mas reforçou a percepção de desaceleração econômica. Com o conflito no Oriente Médio, o Banco Central pode optar por reduzir a Taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião, ao invés dos 0,5 ponto anteriormente esperados.
Juros elevados ajudam a conter a cotação do dólar, mas prejudicam o crescimento econômico.
*com informações da Reuters
Com informações da Agência Brasil