O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, não poupou palavras ao criticar o aumento do preço do óleo diesel nos postos de combustíveis, classificando a prática como "banditismo". Segundo ele, trata-se de um crime contra a economia popular.
Em um evento realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, Boulos destacou que o aumento não se justifica pela guerra no Oriente Médio, já que o governo federal adotou medidas para conter a alta dos preços, como a redução a zero das alíquotas de impostos federais sobre o combustível (PIS e Cofins).
"O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo", criticou Boulos.
As ações do governo visam evitar que o preço do petróleo no mercado internacional impacte a inflação no Brasil. Atualmente, o barril do óleo tipo Brent está cotado em cerca de US$ 110, um aumento significativo em relação ao período anterior ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Encontro com caminhoneiros
Boulos confirmou um encontro com lideranças dos caminhoneiros no Palácio do Planalto, em resposta à ameaça de greve devido ao aumento do combustível. No entanto, após negociações, a categoria decidiu não paralisar suas atividades.
"Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro", afirmou o ministro.
O governo se comprometeu a atender as demandas dos caminhoneiros, incluindo uma atuação enérgica para conter a especulação no preço do diesel. A Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor estão realizando operações em postos de combustíveis, que já resultaram em lacrações e multas.
Piso do frete
Outra reivindicação dos caminhoneiros foi atendida com a publicação da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que pune transportadoras que não cumprem o piso estabelecido para o frete. Boulos destacou que apenas as multas não estavam inibindo os donos de transportadoras, mas a nova MP prevê a cassação do registro de funcionamento em caso de reincidência.
Petróleo e guerra
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, desencadeou um choque global nos preços do petróleo. O Irã, em retaliação, ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, pressionando ainda mais a oferta e elevando os preços.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel, mas o impacto foi suavizado pela desoneração fiscal promovida pelo governo. Além disso, foi proposta aos estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.
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Com informações da Agência Brasil