O Programa Eco Invest Brasil atingiu um marco significativo com o maior leilão de sua história. O terceiro leilão, anunciado pelo Tesouro Nacional, revelou uma demanda que pode mobilizar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em equity, sendo R$ 24 bilhões provenientes de recursos públicos.
Dos R$ 80 bilhões demandados, R$ 15 bilhões foram homologados em capital público, possibilitando cerca de R$ 53 bilhões em investimentos privados. Mais de R$ 11 bilhões serão direcionados ao desenvolvimento de startups e pequenas e médias empresas, com foco em inovação, sustentabilidade e crescimento a longo prazo.
Criado em 2024, o Eco Invest Brasil visa impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos estratégicos da transição ecológica. O programa oferece instrumentos financeiros inovadores, como proteção parcial contra a volatilidade cambial, e apoia iniciativas ligadas à indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura climática e inovação tecnológica.
Dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) mostram que, em 12 meses, as propostas homologadas neste leilão representam 32,5% de todo o investimento realizado no setor no Brasil, entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Instituições Financeiras
Seis instituições financeiras tiveram propostas vencedoras nesta edição. O Itaú liderou com cerca de 50% do volume homologado, equivalente a quase R$ 30 bilhões. Em seguida, a Caixa Econômica Federal com R$ 9 bilhões, além de Bradesco, HSBC, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil.
Destinação dos Recursos
A maior parte dos recursos será destinada a projetos de Transição Energética, que concentraram 64,5% das propostas homologadas. A Bioeconomia respondeu por 16%, Infraestrutura Verde para Adaptação por 10,4% e Economia Circular por 9,1%, em consonância com o Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil.
Potencial de Mobilização
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Eco Invest ultrapassou R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos, demonstrando o crescente interesse do setor privado por projetos sustentáveis.
Entre os setores estratégicos, destacam-se investimentos em combustível sustentável de aviação (SAF), com R$ 12,2 bilhões indicados, e nas cadeias de baterias e veículos elétricos, que somam R$ 9,3 bilhões. O objetivo é inserir o Brasil de forma competitiva na economia verde global.
Coordenação e Prazos
Coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, o Eco Invest Brasil já concluiu três leilões e se consolida como o maior programa de finanças verdes do país. As instituições financeiras vencedoras terão até 24 meses para mobilizar capital externo e até 60 meses para realizar os aportes nos projetos selecionados.
Entendendo o Equity
O termo equity refere-se a investimentos feitos por meio da aquisição de participação societária em empresas, ou seja, o investidor passa a ser sócio do negócio. Diferente de financiamentos tradicionais ou empréstimos, esse modelo não envolve pagamento de juros, mas aposta no crescimento e na valorização da empresa ao longo do tempo.
No Eco Invest Brasil, o equity é destinado principalmente a startups e empresas em expansão ligadas à economia verde, por meio de estratégias de venture capital (voltadas a negócios em estágio inicial) e private equity (destinada a empresas estruturadas, com potencial de escala). O uso de recursos públicos como capital catalítico ajuda a reduzir riscos e atrair investidores privados, ampliando o volume total de investimentos.
Com informações da Agência Brasil