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Federação de petroleiros atribui alta do diesel a aumentos abusivos

(via Agência Brasil)

| Edição de 18 de março de 2026 | Atualizado em 18 de março de 2026

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) voltou a levantar críticas sobre as "distorções estruturais" que, segundo a entidade, justificam a recente alta do preço do óleo diesel nos postos de combustíveis do Brasil.

Em comunicado à imprensa, a FUP, que representa 14 sindicatos de trabalhadores da indústria de óleo e gás, apontou as privatizações realizadas no governo anterior e as margens de lucro abusivas como principais responsáveis pela escalada dos preços.

No contexto de alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra do Irã, a diretora da FUP, Cibele Vieira, atribui o momento atual à falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e à dependência externa.

“A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirma a sindicalista em nota.

Preço na bomba

A FUP destaca dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que revelam um reajuste de 12% no preço médio do litro do diesel S10, entre a primeira e a segunda semanas de março.

Na semana encerrada no dia 7, o litro custava R$ 6,15, em média, valor que subiu para R$ 6,89 na semana seguinte.

A FUP reconhece os esforços do governo federal para conter a escalada dos preços. Na última quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a redução a zero das alíquotas dos tributos federais PIS e Cofins na comercialização do diesel.

Além disso, foi anunciada uma subvenção de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores do óleo.

O governo também propôs aos estados que zerem a alíquota do ICMS cobrado sobre o diesel importado.

Essas medidas visam suavizar os aumentos impulsionados pelo cenário internacional, onde o barril do óleo tipo Brent está sendo negociado a cerca de US$ 108. Em um mês, o barril subiu cerca de 55%.

A alta pressão chega ao mercado internacional, pois o petróleo é uma commodity negociada com base em preços internacionais. Além disso, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.

Reajuste e paridade

No último sábado, a Petrobras reajustou o diesel A, vendido às distribuidoras, em R$ 0,38, indo a R$ 3,65 por litro. Os efeitos de alta na bomba ainda não foram medidos pela ANP.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o óleo diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava sendo negociado a um preço 59% abaixo da paridade internacional.

Desde 2023, a Petrobras segue uma política de preços que não repassa imediatamente as oscilações para o consumidor interno.

Para a FUP, mesmo que se esforce para não subir preços de forma abusiva, a Petrobras, principal vendedora do combustível no país, “não tem alcance sobre o preço final ao consumidor”.

Privatização

A FUP critica a privatização da então subsidiária BR Distribuidora, no governo passado, com a justificativa de otimizar o portfólio e melhorar a alocação do capital da Petrobras.

A compradora foi a Vibra Energia. A venda incluiu licença para a compradora manter a bandeira BR até 2029. Ou seja, apesar de exibirem a marca BR, os postos espalhados pelo país não são de propriedade da companhia, que assinou também um termo de non-compete, impedindo-a de concorrer com a Vibra.

Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, enquanto a Petrobras busca proteger o país das oscilações internacionais, empresas privadas “repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor”.

O dirigente sindical alerta para os efeitos em cadeia do aumento do diesel. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, aponta.

Estreito de Ormuz

Desencadeadora do choque global de preços do petróleo, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã foi iniciada em 28 de fevereiro. Uma das formas de retaliação do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã. Por ali passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O gargalo na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

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Com informações da Agência Brasil