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Federações se dividem sobre futuro da greve na Petrobras

(via Agência Brasil)

| Edição de 23 de dezembro de 2025 | Atualizado em 23 de dezembro de 2025

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As duas principais federações que representam os sindicatos de trabalhadores da Petrobras estão em desacordo sobre a continuidade da greve dos petroleiros, que já dura nove dias. Enquanto a Federação Única dos Petroleiros (FUP) optou por sugerir o encerramento, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) defende a manutenção da paralisação.

A FUP, que representa 105,4 mil trabalhadores da Petrobras, anunciou na noite de segunda-feira que seu conselho deliberativo aprovou a aceitação da contraproposta feita pela Petrobras e a suspensão da greve.

A FUP, que congrega 14 sindicatos, acredita que o movimento grevista trouxe avanços significativos nas principais reivindicações. Entre os pontos acordados com a Petrobras estão a garantia de que não haverá punições aos grevistas, abono de 50% dos dias parados e o desconto dos demais sem reflexos ou a opção por banco de horas.

“A greve garantiu avanços econômicos, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho, incluindo pagamento de abono, reajustes nos vales alimentação e refeição, criação de auxílio alimentação mensal, redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento”, descreve a FUP, que também destaca melhorias no plano de saúde.

A FUP informou à Agência Brasil que as unidades que estão em greve permanecem paralisadas até a realização das assembleias que já estão ocorrendo, conforme o calendário de cada sindicato.

Na manhã desta terça-feira, petroleiros da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, aprovaram por 89% dos votos a suspensão do movimento.

Pela continuidade

A FNP, que representa 26 mil funcionários de quatro sindicatos, considera insuficientes as concessões da Petrobras. Na tarde desta terça-feira, uma sessão plenária decidiu por manter a greve.

O secretário-geral da FNP, Eduardo Henrique Soares da Costa, informou que uma nova assembleia está marcada para depois do dia 26.

“Seguimos rejeitando, e a greve continua forte”, declarou.

Nas redes sociais, a FNP mobiliza parte da categoria e lembra que “as assembleias dos grevistas são soberanas a qualquer deliberação dos sindicatos”.

Reivindicações

A greve chegou a atingir nove refinarias, 28 plataformas de produção marítima, 16 terminais operacionais, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e dez instalações terrestres operacionais.

Entre as principais reivindicações que levaram à paralisação estão:

  • Melhorias no plano de cargos e salários;
  • Solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros (fundo de pensão da categoria);
  • Defesa da pauta Brasil Soberano, que defende a manutenção da Petrobras como empresa pública e um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal.

Sobre a questão relacionada ao Petros, a diretoria executiva da Petrobras encaminhou uma carta compromisso aos sindicatos, apontando que uma solução precisará de um processo que pode durar 8 meses.

Petrobras

Por meio de nota enviada à Agência Brasil, a Petrobras confirmou que apresentou ajustes na proposta de acordo coletivo de trabalho, “contemplando avanços nos principais pleitos sindicais”.

De acordo com a estatal, com essa medida, a companhia demonstra “compromisso com o entendimento com a categoria e busca a suspensão do movimento grevista”.

A empresa informou que a greve não causou impacto à produção, e o abastecimento ao mercado segue garantido, sem alterações. Equipes de contingência foram mobilizadas onde necessário.

“A companhia respeita o direito de manifestação dos empregados e se mantém aberta ao diálogo com as entidades sindicais”, finaliza.



Com informações da Agência Brasil