O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, assinou um manifesto internacional nesta terça-feira (13), em defesa da autonomia das autoridades monetárias e em apoio ao presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell. Essa ação ocorre em meio a pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca uma redução mais rápida das taxas de juros no país.
De acordo com o Banco Central, a declaração conjunta reforça a autonomia técnica das instituições como um pilar essencial para a estabilidade econômica global, num momento de crescentes tensões políticas que envolvem decisões de política monetária, tanto no exterior quanto no Brasil.
Autonomia monetária
No manifesto, os líderes dos bancos centrais destacam que a independência institucional é crucial para garantir a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos, sempre respeitando o Estado de Direito, a transparência e a responsabilidade democrática.
Os signatários expressam total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu presidente, Jerome H. Powell, afirmando que ele tem atuado com integridade e compromisso com o interesse público, focando em seu mandato.
Ao aderir ao manifesto, Galípolo posiciona o Brasil ao lado de instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS), uma entidade com sede na Suíça que atua como o Banco Central dos bancos centrais. Também assinaram o documento autoridades monetárias do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália e Coreia do Sul.
Pressão política
O apoio internacional veio após Powell revelar que o Departamento de Justiça dos EUA notificou o FED com intimações de um grande júri, no âmbito de uma investigação relacionada à reforma de prédios históricos da instituição, em Washington. Powell afirmou que essa investigação tem sido utilizada como instrumento de pressão política.
"Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém está acima da lei", disse Powell. "Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo", acrescentou.
O mandato de Powell termina em maio deste ano.
Trump tem criticado publicamente o FED por manter os juros em patamar elevado e defende cortes mais rápidos, apesar de a inflação norte-americana ter encerrado 2025 acima da meta oficial.
A divulgação do manifesto também ocorre em um momento sensível para o Banco Central brasileiro. Nos últimos dias, a liquidação do Banco Master e questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) reacenderam debates sobre a autonomia da autoridade monetária no país.
Na segunda-feira (12), Galípolo se reuniu com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para tratar do tema. Integrantes do mercado avaliam que a defesa pública da independência dos bancos centrais busca reforçar a confiança na condução técnica da política monetária, em um cenário global de maior volatilidade e incerteza.
Com informações da Agência Brasil