A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou recentemente que o preço da gasolina deverá seguir a tendência de outros combustíveis, que tiveram seus valores reduzidos devido à queda do preço do petróleo no mercado internacional.
Na terça-feira, a estatal anunciou uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do óleo diesel. Já na quarta-feira, foi a vez do querosene de aviação (QAV) ter uma redução de 14,5% anunciada pela empresa.
“Todos os nossos combustíveis acompanham a tendência dos preços internacionais”, afirmou Magda. "No caso da gasolina, é a mesma coisa”, completou.
Segundo a Petrobras, as reduções já anunciadas refletem a atenuação dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados, que haviam subido com o início do confronto entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Efeito da guerra
O principal motivo para a alta dos preços foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, ao sul do Irã. Antes da guerra, 20% da produção internacional de óleo e gás passavam pela região. Com a oferta reduzida, os preços subiram.
Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o preço do produto e seus derivados é definido no mercado internacional, pois são commodities negociadas em grandes quantidades.
Mesmo com relatos de ataques na região de Ormuz, navios petroleiros voltaram a cruzar o estreito.
O preço do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, voltou a ser negociado na casa dos US$ 70, valor semelhante ao período pré-conflito. Nos momentos mais críticos da guerra, chegou a custar mais de US$ 110.
“Sem ansiedade”
Magda Chambriard destacou que a empresa monitora o cenário global de preços diariamente, mas sem trazer "volatilidade e ansiedade" para o Brasil.
“Vamos acompanhar a tendência, mas não todos os dias”, afirmou, ressaltando que a gasolina “custou para subir”.
Em 29 de maio de 2026, a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,48 por litro, mas aderiu à subvenção do governo federal de R$ 0,44 por litro, resultando em um aumento efetivo de R$ 0,04 por litro para as distribuidoras.
A presidente da estatal ressaltou que a atual política de preços busca evitar a volatilidade internacional no Brasil, diferente do que ocorria em anos anteriores.
“Quando fizemos isso no passado, mais ou menos em 2018, aquela aflição por aumentar ou baixar o preço da gasolina diariamente trouxe um efeito indesejado, fazendo a Petrobras perder market share [participação de mercado]”, lembrou.
Ela afirmou que a empresa analisa o cenário com “muita calma, muito profissionalismo”.
“Queremos atender à sociedade, fornecendo produtos acessíveis, mas também garantir o mercado da Petrobras”.
Retirada de subsídios
A atenuação dos efeitos da guerra também levou o governo federal a iniciar o processo de retirada de subsídios às empresas produtoras e importadoras de combustíveis.
No mesmo dia em que a Petrobras anunciou a queda do diesel, o governo cortou um alívio de R$ 0,35 que valia para o combustível, utilizado principalmente por caminhões e ônibus.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo avalia a retirada do subsídio de R$ 0,44 que vale para a gasolina.
Questionada sobre a possibilidade de a Petrobras reduzir o preço da gasolina antes da retirada do subsídio pelo governo, Magda Chambriard considerou a pergunta “prematura”.
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Com informações da Agência Brasil