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Governo federal dá nova destinação a 1,9 mil imóveis abandonados

(via Agência Brasil)

| Edição de 11 de junho de 2026 | Atualizado em 11 de junho de 2026

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O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) revelou que cerca de 1,9 mil imóveis pertencentes à União estão em processo de destinação. Esses imóveis serão utilizados para regularização fundiária em áreas urbanas e rurais, construção de moradias populares, transformação em equipamentos de saúde e educação, além de serem vendidos no mercado imobiliário para compor um fundo de investimentos gerido pelo governo.

Essas ações fazem parte do programa Imóvel da Gente, que se tornou uma ferramenta de mapeamento e destinação social de imóveis e áreas públicas federais.

Durante um evento no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, gestores municipais e movimentos sociais, foi apresentado um balanço das ações do programa desde 2023.

"Você pega o centro velho de São Paulo, o centro velho do Rio de Janeiro, de Salvador, de Recife, todas essas capitais, há muito tempo, têm prédios abandonados, casas abandonadas, lojas abandonadas. E muitas vezes são abandonadas com processos na Justiça", disse o presidente, ao explicar a ideia de buscar uma função social para áreas públicas ociosas.

De acordo com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), ligada ao MGI, as destinações realizadas desde 2023 têm potencial para beneficiar cerca de 400 mil famílias em todos os estados. As áreas destinadas somam mais de 18,5 mil quilômetros quadrados, aproximadamente três vezes o tamanho do Distrito Federal.

"A gente está transformando imóveis abandonados em moradias, em títulos de propriedade, em escolas, em hospitais, em oportunidades. O patrimônio da União voltou a cumprir sua função social e socioambiental e voltou a servir ao povo brasileiro", destacou a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

Titulação de bairros

Segundo a ministra, os imóveis não se limitam a casas ou apartamentos, mas abrangem áreas extensas onde cabem bairros inteiros. À frente do programa de regularização fundiária, a SPU cruzou dados e identificou 370 áreas da União com ocupação habitacional ainda não titulada.

Os processos envolvem parcerias com estados e prefeituras, que atuam na urbanização do território, parcelamento dos imóveis, identificação de famílias e registro em cartório.

Cerca de R$ 200 bilhões do PAC Periferia Viva, outro programa federal, estão sendo disponibilizados para custear a titulação, inclusive os custos cartoriais. Do total de 370 áreas, 129 já têm parceria entre governo federal e municípios para viabilizar a regularização, informou Dweck.

A ministra também destacou que, em cidades como Belém, cerca de 15 bairros poderão ter as casas completamente regularizadas em nome das famílias ocupantes a partir do programa. Cerca de 68 imóveis foram destinados para hospitais, unidades básicas de saúde e unidades de assistência social. E outros 141 imóveis, até então ociosos, estão sendo transferidos para a educação pública, incluindo 25 campi de institutos federais.

Destinação coletiva

Uma outra parceria semelhante viabilizou o repasse de 196 áreas da União para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Glebas federais com centenas de hectares, aeroportos abandonados e galpões em zonas urbanas, como os armazéns do antigo Instituto Central do Café, na Vila Carioca, centro de São Paulo, também foram incluídos no programa.

Os galpões do antigo Instituto Central do Café estão na mira para destinação pelo governo desde 2009, ainda no segundo mandato presidencial de Lula. Durante a cerimônia, ele contou sua relação com o local, perto de onde viveu na infância.

"Isso para mim é um sonho, poder entregar ao povo da Vila Carioca esse armazém", disse Lula.

A destinação do imóvel ainda deve demorar algum tempo. Após destravar o repasse da propriedade, um projeto arquitetônico para múltiplos usos da área deve ser apresentado e discutido diretamente com os moradores do bairro, por meio de consultas públicas. A ideia do governo é que o local seja um equipamento híbrido, com centro cultural e áreas de lazer.

Presente ao evento, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, destacou que o governo federal dá exemplo ao transformar "abandono em dignidade".

"Um dado que o movimento de moradia sempre reforçou é que, no Brasil, por uma herança histórica de desigualdade, a gente tem mais casa sem gente do que gente sem casa. Aliás, segundo o último censo do IBGE, são 11 milhões de imóveis ociosos e 6,2 milhões de famílias sem casa no Brasil", observou.

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Com informações da Agência Brasil