ECONOMIA

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Haddad defende nova arquitetura para benefícios sociais

(via Agência Brasil)

| Edição de 10 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 10 de fevereiro de 2026

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na manhã desta terça-feira (10), em São Paulo, que a atual conjuntura econômica do Brasil já permite ao país considerar uma nova estrutura para as despesas sociais, sugerindo a possibilidade de fusão dos benefícios. Ele destacou que, embora ainda não seja um projeto de governo e não tenha sido apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tema já está em estudo.

“Observando o orçamento, talvez o Brasil esteja pronto para uma solução mais inovadora”, comentou o ministro durante o CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual.

“Talvez estejamos em uma situação que permita uma nova arquitetura do ponto de vista do gasto, especialmente de natureza assistencial. A discussão sobre renda básica, por exemplo, segue essa direção”, avaliou.

Haddad comparou a ideia de criar uma nova estrutura ao projeto do Bolsa Família, lançado por Lula em 2003, que unificou diversos programas existentes na época.

“Será que não seria o caso de fazer o que o presidente Lula fez em 2003, quando havia muitos programas e o Bolsa Família surgiu como o grande guarda-chuva, tornando-se um programa reconhecido mundialmente, inclusive por especialistas e organismos internacionais?”, questionou o ministro.

Segundo Haddad, a intenção desse novo projeto não é reduzir os gastos, mas modernizar e tornar os programas sociais mais eficazes e sustentáveis. “Esse é o tipo de discussão que está sendo feita entre os técnicos, inclusive do Estado brasileiro, não necessariamente ligados ao governo, e que veem nessa conjuntura [econômica] uma oportunidade de repensar essa questão de uma forma mais moderna”.

Banco Central e Master

O ministro destacou a importância de “cuidar do Banco Central”, pois ele “pode efetivamente contribuir muito, ou prejudicar muito, os governos e o país”.

“Eu sou muito atento a tudo que o Banco Central diz e faz”, enfatizou Haddad.

Ele explicou que suas críticas à manutenção dos juros altos no país são apenas reflexões sobre o assunto e não comentários que poderiam afetar a reputação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

“Quando eu digo que não vejo muita razão para o juro real continuar subindo como está, uma vez que a inflação está caindo e o juro nominal está estável em 15%, não estou querendo macular a reputação da autoridade, mas estou fazendo uma reflexão. Uma reflexão que qualquer pessoa pode fazer”, explicou.

Haddad também elogiou a atuação de Galípolo em relação às denúncias envolvendo o Banco Master. “O fato concreto é que o Banco Master, até 2024, teve um crescimento exponencial que foi estancado assim que o Galípolo tomou posse. Ele se deparou com uma situação muito preocupante em relação ao que se verificava ali”, afirmou.

“Pior do que tudo, descobriu-se uma fraude de R$ 12 bilhões. Diante disso, não havia muito o que fazer, à luz não apenas do patrimônio do próprio Master como do patrimônio do banco que comprou uma carteira fraudada”, acrescentou.

Para o ministro da Fazenda, as investigações dos órgãos competentes sobre o caso deverão apontar as responsabilidades pela gestão fraudulenta. “Como é que esse banco atingiu essa dimensão? Alguém vai responder como é que essa coisa chegou nesse patamar”.

Reforma tributária

Durante a entrevista, o ministro elogiou a reforma tributária, afirmando que após sua aprovação o país terá um dos melhores sistemas tributários do mundo. Segundo ele, esse será o principal legado de sua atuação como ministro da Fazenda.

“As pessoas ainda não têm condição de entender a profundidade da mudança que vai acontecer nos impostos sobre consumo no Brasil. Hoje temos um dos piores sistemas tributários do mundo, atestado pelo Banco Mundial. A última avaliação nos colocava na posição 184 entre 190 países avaliados, uma posição vexaminosa. Mas acredito que vamos saltar para um dos melhores sistemas tributários do mundo”, avaliou.

Haddad destacou que a nova avaliação deve ocorrer por causa do nível de “digitalização e transparência” que foram dadas à reforma tributária brasileira.

“A reforma tributária vai entrar para a história, e acredito que, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, isso estará claro para todos nós”.



Com informações da Agência Brasil