ECONOMIA

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Mercado financeiro abre espaço às iniciativas que preservam a floresta

(via Agência Brasil)

| Edição de 01 de julho de 2026 | Atualizado em 01 de julho de 2026

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As políticas públicas e o interesse crescente do setor privado estão trazendo a sociobioeconomia para o centro das atenções, aumentando sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

A sociobioeconomia é um modelo de desenvolvimento econômico que se destaca em comunidades, especialmente em territórios coletivos como os indígenas e quilombolas. Ela se baseia na produção de bens e serviços através de práticas sustentáveis e do uso responsável dos recursos naturais. Exemplos disso são o cultivo de agroflorestas e a produção de alimentos e madeira a partir da restauração ambiental.

De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, o setor já movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, representando 25,3% do PIB brasileiro.

Fabíola Zerbini, diretora executiva da organização social Conexsus, destaca que a sociobiodiversidade ganhou visibilidade ao ser incorporada em políticas governamentais, como o Plano de Transformação Ecológica, e através de novos instrumentos financeiros verdes, como o Ecoinvest.

“Fortalecer esse setor é estratégico para o país, pois ele está alinhado com agendas climáticas, de conservação, justiça social e econômica”, afirma Zerbini.

Acesso ao Crédito

Apesar do crescimento e da estruturação em cooperativas e associações, ainda há desafios para que os produtores acessem crédito e recursos financeiros disponíveis no mercado.

“Os incentivos e políticas de fomento não foram desenhados para negócios comunitários”, explica Zerbini.

Um exemplo é a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), em Arinos, Minas Gerais. Com 165 cooperados, a cooperativa só conseguiu sua primeira linha de crédito após mais de uma década de existência.

“Utilizamos o crédito para capital de giro na produção de semente de baru, mostrando que a árvore vale mais em pé do que cortada para madeira”, relata Anny Caroliny Rocha, gestora ambiental da COPABASE.

Imagem ilustrativa da imagem Mercado financeiro abre espaço às iniciativas que preservam a floresta
Anny Carolina Rocha usou crédito para mudar o negócio baseado na árvore da castanha de baru - COPABASE/Divulgação

A Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), no Amazonas, também enfrentou dificuldades semelhantes. Seus produtos, como óleos e manteigas extraídos de forma sustentável da Floresta Amazônica, beneficiam mais de 1,5 mil famílias.

“Buscamos apoio da Conexsus para conseguir financiamento e aumentar nossa capacidade de produção”, diz Marcikely Ferreira, presidente da Aspacs.

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Marcykely Ferreira conta que associadas da Aspacs também enfrentaram dificuldades de falta de crédito- Aspacs/Divulgação

Parcerias Estratégicas

Para ampliar o acesso a recursos e atrair investidores, a Conexsus, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Banco do Brasil, lançou o Programa Implementa Sociobio, que pretende disponibilizar R$5 bilhões em crédito até 2030.

“A iniciativa visa fortalecer cadeias produtivas sustentáveis através de acesso a instrumentos financeiros e assistência técnica”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente do Banco do Brasil.

Zerbini acredita que transformar a floresta em pé em uma economia competitiva e sustentável pode impactar positivamente a economia nacional.

“O modelo de uso da terra que decidirmos apoiar definirá o risco ao qual o país estará exposto, influenciando diretamente os custos associados”, explica.

A sociobioeconomia oferece benefícios que vão além do valor econômico, como serviços ecossistêmicos e mitigação de riscos climáticos.

“Reduz os custos associados a riscos como escassez de água e eventos climáticos extremos”, conclui Zerbini.

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Com informações da Agência Brasil