A economia brasileira está projetada para crescer 1,8% este ano, conforme previsão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).
Apesar das incertezas geradas pela guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irã, que impactaram o preço internacional do petróleo, a previsão otimista do Produto Interno Bruto (PIB) permanece inalterada.
Mesmo reconhecendo que o mundo enfrenta a maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria, o Ipea mantém um "moderado otimismo", conforme a Carta de Conjuntura nº 70, divulgada nesta quinta-feira (9).
"A elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente, o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional", pondera o estudo.
No Brasil, o consumo das famílias, impulsionado pelo aumento real do salário mínimo, continua sendo um dos principais motores da economia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também subordinado ao MPO.
O crédito disponibilizado pode fomentar investimentos privados, outro fator que contribui para o crescimento do PIB.
Além do consumo e dos investimentos, o crescimento do PIB também leva em conta as despesas do Estado e o saldo entre exportações e importações.
Gasto e receita
De acordo com o Ipea, o Estado seguirá a política do novo arcabouço fiscal, que combina aumento dos gastos públicos de natureza social com o crescimento das receitas públicas. Isso decorre diretamente da política de valorização do salário mínimo e da reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.
Em relação ao comércio exterior, o Ipea destaca que ele se beneficiará de "políticas fiscais expansionistas" devido aos investimentos em inteligência artificial e aos gastos com armamentos, motivados pelo conflito no Oriente Médio.
O instituto relembra que "a eclosão da guerra na Ucrânia [em fevereiro de 2022] não impediu, por exemplo, que o comércio mundial crescesse 5,8%" naquele ano.
Quadriênios
No ano passado, o Ipea acertou a previsão de crescimento do PIB, de 2,3%. Se a projeção do instituto se confirmar este ano, o somatório do período 2023-2026 será de 10,7%, índice superior aos dois quadriênios anteriores.
Esse resultado seria cinco pontos percentuais acima do PIB do quadriênio anterior (total de 5,7% entre 2019 e 2022), e 0,8 ponto percentual acima do PIB total entre 2015 e 2018 (9,9%).
A estimativa do Ipea para o PIB de 2027 é de crescimento de 2%.
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Com informações da Agência Brasil