A desigualdade de renda no Brasil é ampliada pela presença desproporcional de indivíduos ricos na política. Uma vez no poder, esses indivíduos tendem a criar leis e regulamentos que não favorecem a distribuição equitativa de recursos.
Essa é a conclusão do relatório Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, publicado pela Oxfam Brasil. O estudo destaca como a concentração econômica sufoca a democracia, conferindo às elites um poder de veto sobre políticas públicas e influenciando eleições.
O relatório analisa como aqueles com recursos conseguem influenciar e definir agendas públicas, monopolizando recursos econômicos, jurídicos e simbólicos para preservar suas posições de comando. No Brasil, essa dinâmica é reforçada por um histórico de escravidão, concentração fundiária e a capacidade das classes dominantes de reorganizar seus privilégios ao longo dos ciclos de modernização.
Fenômeno Global
Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil. O estudo Resistindo ao Domínio dos Ricos, da Oxfam Internacional, revelou que a riqueza dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões no ano passado, atingindo um recorde histórico. A concentração de riqueza ameaça as liberdades civis, pois indivíduos extremamente ricos têm uma probabilidade muito maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.
O World Inequality Report 2026 mostrou que os 10% mais ricos da população mundial ganham mais do que os outros 90%, enquanto a metade mais pobre detém menos de 10% da renda gerada. O Global Wealth Report 2026 posiciona o Brasil como o quarto país mais desigual em termos de patrimônio, com cerca de 386 mil milionários em 2025.
Pobreza e Estrutura Tributária
Embora o Brasil tenha registrado avanços, como a saída de quase 9 milhões de pessoas da pobreza, a desigualdade persiste, principalmente devido à estrutura tributária que penaliza mais a base do que o topo. As big techs e outras corporações de alta tecnologia ampliam esse cenário, maximizando ganhos em mercados pouco regulamentados.
Limitações das Políticas de Renda
A Oxfam critica as limitações das políticas de transferência de renda, que, embora necessárias, não enfrentam as dimensões patrimoniais e tributárias da desigualdade. Sem abordar essas questões, as melhorias nos indicadores médios permanecem limitadas e vulneráveis.
Poderes Oligarquizados
O poder político no Brasil é dominado por um grupo restrito, geralmente branco, masculino e rico, que ocupa cargos decisórios tanto no espaço eleitoral quanto em áreas técnicas, como o Judiciário e o Executivo. Essa captura institucional afeta desproporcionalmente populações vulneráveis, como mulheres negras, povos indígenas e comunidades quilombolas.
O relatório destaca que, nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas, e nas capitais, apenas duas mulheres venceram. No Senado, a disparidade é ainda maior, com apenas 16 senadoras em exercício.
Poder Político Além do Eleitoral
O acesso a cargos em outros poderes e instâncias técnicas também reflete essa lógica de exclusão. A presença de executivos em múltiplas organizações favorece a difusão de concepções comuns e a formação de redes de confiança, perpetuando a desigualdade de voz e acesso.
Desigualdade como Escolha
A desigualdade é resultado de escolhas políticas que podem ser revertidas. A Oxfam Brasil sugere a promoção de igualdade tributária, defesa da participação política equilibrada, busca por representação efetiva da diversidade social e controle social dos gastos públicos como soluções.
Os detalhes dessas propostas estão disponíveis na edição integral do relatório no site da Oxfam Brasil.
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Com informações da Agência Brasil