A Polícia Federal (PF) anunciou, nesta sexta-feira (6), que está conduzindo uma investigação sobre possíveis irregularidades na gestão dos recursos financeiros do fundo previdenciário dos servidores públicos do Amazonas, que é gerido pela Fundação de Previdência do Estado (Amazonprev).
Com autorização da Justiça Federal, agentes da PF realizaram buscas e apreenderam documentos na sede da fundação nesta manhã.
A Justiça também ordenou o afastamento imediato de três servidores da Amazonprev, suspeitos de envolvimento no desvio de milhões de reais do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amazonas, entre junho e setembro de 2024.
De acordo com a PF, cerca de R$ 390 milhões foram investidos em letras financeiras de instituições privadas, em desacordo com as normas de governança e regras federais aplicáveis aos investimentos de recursos previdenciários. Letras financeiras são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captar recursos de longo prazo, prometendo maior rentabilidade aos investidores.
Segundo a PF, foram detectados indícios de irregularidades em procedimentos internos, além de movimentações financeiras consideradas atípicas. As evidências reunidas durante a investigação inicial fundamentaram a Operação Sine Consensu, deflagrada pela PF nesta manhã, com o apoio do Ministério da Previdência Social.
Gestão Temerária
Os investigados são suspeitos de gestão temerária e corrupção. Entre eles estão o ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos da Amazonprev, Claudinei Soares; o ex-diretor de Previdência, André Luis Bentes de Souza, e o diretor de Administração e Finanças, Cláudio Marins de Melo. A reportagem da Agência Brasil ainda não conseguiu contato com os suspeitos e permanece aberta para receber suas manifestações.
Em nota, a Amazonprev declarou que está colaborando com as investigações e que está à disposição para fornecer todas as informações solicitadas pelos órgãos competentes, visando contribuir para o completo esclarecimento dos fatos.
Sem mencionar nomes, a fundação informou que um dos três alvos da operação policial desta sexta-feira deixou o cargo comissionado e o quadro funcional ainda em 2024 – sem especificar o mês. E que os outros dois servidores pertencentes ao quadro efetivo do órgão já foram afastados de suas funções, conforme determinação judicial.
A Amazonprev assegurou que as aplicações suspeitas não representam riscos para o pagamento dos benefícios de aposentados e pensionistas do estado, pois o Fundo de Previdência do Amazonas apresenta um superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão, com mais de R$ 11 bilhões em recursos.
“O saldo é suficiente para garantir o pagamento de todas as aposentadorias e pensões do presente e os benefícios futuros dos servidores atualmente na ativa.”
Com informações da Agência Brasil