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PF e CGU apuram aplicação de servidores de Maceió no Master

(via Agência Brasil)

| Edição de 10 de agosto de 2026 | Atualizado em 10 de agosto de 2026

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Uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) foi deflagrada nesta segunda-feira (10) para investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras com o Banco Master.

O Banco Master, de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central (BC). A decisão foi tomada após o BC identificar violações às normas do Sistema Financeiro Nacional e uma severa crise de liquidez enfrentada pela instituição.

Oito mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo.

Principais Alvos da Investigação

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e ex-integrante do Conselho de Administração do Iprev.
  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev.
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev.
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado.
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda.
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

Os agentes federais foram autorizados a apreender computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais ou corporativos, documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

De acordo com a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado do credenciamento, elaboração e validação de análises e da formação documental das operações com o Master, configurando uma “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto de previdência.

Além das buscas e apreensões, o ministro Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e Santos, até o limite global de R$ 97 mil.

As suspeitas de gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 mil, seguido de mais R$ 17 mil em maio de 2024.

Objetivos da Investigação

As investigações visam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.

O ministro André Mendonça, ao autorizar as buscas, destacou que a PF apresentou indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”.

Conforme a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) foram preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master”, afirmou Mendonça em seu despacho.

A reportagem ainda não conseguiu contato com a prefeitura de Maceió, nem com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

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Com informações da Agência Brasil